«As torneiras roncam. Nem uma gota de água!». É com um ‘cenário apocalíptico’ que o PS de Vila Verde denuncia que há «vilaverdenses sem água durante onda de calor», lembrando aqueles que «precisam de uma pausa para saciar a sede e refrescar o corpo (…), principalmente os mais velhos». Ou mesmo aqueles que não podem «cozinhar ou realizar a higiene básica». E já está identificada a causa: «falta de investimento na rede de abastecimento», refere a estrutura liderada por Filipe Silva, em comunicado enviado à nossa redação.
«Abandonados à sua sorte sem uma resposta. Uma solução. Uma palavra de esperança por parte da Câmara Municipal de Vila Verde. Nada!», denuncia.
Na ótica dos socialistas, «é este o cenário desolador que encontramos em várias freguesias do concelho, fruto do estado de abandono em que se encontra a rede de abastecimento de água». «Aliada a uma gritante ausência de planeamento, continua, 28 longos anos depois, a deixar centenas de vilaverdenses sem acesso fiável a água potável — um direito humano básico e inegociável».
Filipe Silva, líder da concelhia socialista e candidato à câmara, lembra que o tema «foi objeto de denúncia e intervenção na última Assembleia Municipal», que alertou para «a urgência de um plano estratégico e para a necessidade de acabar com o ciclo de improviso que continua a prejudicar a vida dos vilaverdenses».
Expondo a posição da presidente da câmara, que – segundo os socialistas – disse que ‘«Está tudo bem» e que «desvalorizou o assunto, não prestou os esclarecimentos que lhe são exigidos em democracia».
Ironiza: «dois dias depois já não está tudo bem e há novo caso de falta de água em várias freguesias do concelho. A autarquia dá o dito por não dito e sacode a falta de água do capote atirando as culpas para as populações que – pasmem-se! – consomem mais água nos períodos de maior calor. Como é que poderiam ter previsto uma situação desta natureza?».
Constata: «As barragens estão cheias. Os reservatórios têm água, mas a pressão é insuficiente para a fazer chegar à casa das pessoas. De quem é a responsabilidade? Da Câmara Municipal de Vila Verde!».
Para os socialistas, «um dos problemas estruturais mais graves prende-se com a ausência de cadastro atualizado de grande parte da rede, o que impede uma intervenção com rigor e antecipação. Este descontrolo é agravado pela falta de renovação das tubagens, muitas das quais já ultrapassaram largamente o seu período de vida útil, conduzindo a ruturas frequentes, perdas de água e à degradação contínua da qualidade do serviço».
No mesmo comunicado, a estrutura socialista fala em «completa ausência de planificação por parte do atual executivo municipal. Esqueceu-se este executivo de que mais pessoas e mais habitações exigem maior disponibilidade de água?».
Deixa algumas dicas: «O Município tem técnicos altamente qualificados e dedicados, mas em número muito reduzido para responder à complexidade e urgência das exigências atuais. A escassez de meios humanos compromete a capacidade de intervenção rápida, a monitorização eficaz e a manutenção preventiva, agravando os efeitos da inércia política e da falta de investimento nas infraestruturas».
O cenário para os socialistas é este: «sem rede modernizada, sem cadastro, com reservatórios sobrecarregados e equipas técnicas limitadas — mas sempre com um balde na mão… e os bombeiros de prontidão».
Encerra o comunicado constatando a «resiliência» dos vilaverdenses e remata: «a população de Vila Verde bem poderia candidatar-se a um Guinness World Record. Categoria: “Maior resistência coletiva à falta de água potável em pleno século XXI”».



