O Partido Social Democrata anunciou este domingo que não irá viabilizar a comissão parlamentar de inquérito à Operação Influencer proposta pelo Chega, considerando que a iniciativa poderá interferir com uma investigação judicial ainda em curso e sujeita a segredo de justiça.
Em declarações à agência Lusa, fonte da direção parlamentar social-democrata afirmou que o PSD entende que “a política não deve invadir o espaço que cabe à justiça”, defendendo igualmente que “a justiça também não deve interferir no espaço da política”.
Os sociais-democratas sustentam que a criação de uma comissão parlamentar de inquérito nesta fase “pode até prejudicar” o trabalho das autoridades judiciais e apelam a que estas matérias sejam tratadas com “responsabilidade e sentido de Estado”, afastando leituras motivadas por “putativos interesses partidários”.
A posição do PSD praticamente inviabiliza o avanço da comissão proposta pelo Chega, uma vez que o partido liderado por André Ventura já utilizou nesta sessão legislativa o seu direito potestativo para criar outra comissão de inquérito, necessitando agora de maioria parlamentar para aprovar esta nova iniciativa.
O Chega entregou este domingo no parlamento a proposta para a constituição de uma comissão eventual de inquérito parlamentar destinada a avaliar a intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos relacionados com a exploração de lítio, projetos de hidrogénio em Sines e a construção do centro de dados da Start Campus.
No documento submetido à Assembleia da República, o partido pretende apurar “a extensão da intervenção” de António Costa em três projetos considerados centrais na investigação: as minas de lítio do Romano e do Barroso, o projeto energético de hidrogénio em Sines e o ‘data center’ da Start Campus na Zona Industrial e Logística de Sines.
A proposta prevê ainda o apuramento de responsabilidades de membros do XXIII Governo Constitucional e de anteriores titulares de cargos governativos relacionados com os processos em análise.
O Chega justifica a iniciativa com a demora da investigação judicial, sublinhando que, cerca de dois anos e meio após o início público da Operação Influencer, continua sem existir previsão para o encerramento do inquérito.
A proposta surge depois de notícias divulgadas no início de maio indicarem que António Costa terá falado com o empresário Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, contrariando declarações anteriores do ex-primeiro-ministro, que afirmara nunca ter abordado esse assunto com o empresário.



