Os interrogatórios aos polícias detidos no âmbito da investigação a alegados crimes de tortura e outros abusos ocorridos nas esquadras da PSP do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, já terminaram, confirmou esta sexta-feira fonte ligada ao processo.
O Ministério Público deverá apresentar as suas alegações este sábado de manhã, sendo expectável que a decisão relativa às medidas de coação dos arguidos apenas seja conhecida na próxima segunda-feira.
Segundo informação prestada por um dos advogados dos 14 polícias constituídos arguidos, os detidos deverão permanecer sob custódia pelo menos durante mais uma noite, podendo a decisão judicial prolongar-se ainda até ao início da próxima semana.
“Os arguidos estiveram muito ansiosos para explicar as suas posições e agora que o fizeram sentem algum alívio”, referiu o advogado, sublinhando ainda a complexidade do processo e a gravidade dos factos em investigação.
Outro defensor dos arguidos salientou que não é habitual o Ministério Público solicitar um período de reflexão antes das alegações após os interrogatórios, admitindo que os factos em análise exigem ponderação adicional.
Os primeiros interrogatórios começaram na quinta-feira, tendo sido ouvidos quatro polícias nesse dia. Os restantes arguidos prestaram declarações esta sexta-feira, após terem tido acesso a imagens que alegadamente mostram agressões a detidos dentro das esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, material que terá sido partilhado em grupos privados de mensagens entre agentes.
No total, foram detidos 15 polícias e um civil, este último segurança de um espaço noturno. Um dos polícias foi libertado pouco depois da detenção e o civil ficou igualmente em liberdade após o tribunal ter considerado ilegal a detenção, na sequência de um pedido de habeas corpus.
Dos 15 polícias inicialmente detidos — incluindo agentes e chefes —, 14 são suspeitos de envolvimento em crimes como tortura, ofensas à integridade física, abuso de poder e falsificação de documentos. Um dos elementos é ainda suspeito por omissão, por alegadamente ter presenciado agressões sem intervir, enquanto outro responde por diferentes ilícitos, incluindo ofensas à integridade física e violação de correspondência.
A operação policial que deu origem ao processo envolveu 30 buscas domiciliárias e em instalações policiais, realizadas pelo Ministério Público e pela PSP, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
Com estas detenções, sobe para 24 o número de elementos da PSP envolvidos na investigação relacionada com alegados crimes ocorridos nas esquadras visadas, num caso que continua sob forte escrutínio judicial e mediático.



