A Polícia de Segurança Pública registou 3.725 denúncias de violência doméstica entre janeiro e março deste ano e deteve 433 pessoas por este tipo de crime, números que representam um ligeiro aumento face ao mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados esta sexta-feira pela própria força de segurança.
Segundo a PSP, no primeiro trimestre de 2025 tinham sido contabilizadas 3.621 ocorrências, o que significa um aumento de 104 denúncias este ano. Também o número de detenções subiu, passando de 402 para 433, mais 31 casos do que em igual período do ano anterior.
No âmbito destas ocorrências, a polícia apreendeu ainda 99 armas, incluindo 38 armas de fogo e 30 armas brancas, numa operação de reforço das medidas de prevenção e proteção das vítimas.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a PSP detalha que realizou 4.871 contactos periódicos com vítimas de violência doméstica e promoveu 4.765 ações policiais de avaliação de risco. Foram igualmente efetuados 3.450 reforços com orientações de proteção pessoal e 2.083 ações de informação sobre recursos de apoio disponíveis.
Durante os primeiros três meses do ano, a polícia apresentou ainda 1.163 propostas ao Ministério Público para aplicação de medidas de coação aos suspeitos.
A força de segurança refere também ter desenvolvido 1.151 ações de reforço de patrulhamento junto de residências, locais de trabalho das vítimas ou zonas associadas às ocorrências. Paralelamente, foram sinalizadas 987 crianças à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).
No plano da sensibilização e prevenção, a PSP promoveu 952 ações de sensibilização sobre violência doméstica e violência no namoro, bem como 67 ações de formação dirigidas aos seus agentes especializados nesta área.
A PSP recorda que mantém, desde 2006, uma estratégia específica de combate à violência doméstica, assente no policiamento de proximidade, investigação criminal e proteção das vítimas. Atualmente, esta resposta integra 251 agentes das Equipas de Proximidade e Apoio à Vítima (EPAV), 121 elementos das Equipas Mistas de Escola Segura e Apoio à Vítima (EMESAV) e 31 Estruturas Especializadas de Atendimento Policial a Vítimas de Violência Doméstica.
Segundo a polícia, estas estruturas garantem “um atendimento reservado, especializado e humanizado”, assegurando a avaliação de risco em todas as situações sinalizadas e a adoção célere de medidas de proteção.
A PSP relembra ainda que a violência doméstica é um crime público, podendo ser denunciado pela vítima ou por qualquer cidadão junto das autoridades. A polícia sublinha também que este crime pode assumir diferentes formas — física, psicológica, emocional, sexual, económica ou digital —, defendendo que a denúncia precoce é essencial para prevenir a escalada da violência.



