A Quercus saudou a entrada em funcionamento do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas em Portugal, que arranca esta sexta-feira sob a designação “Volta”, considerando-o um passo importante para reforçar a reciclagem no país, embora tardio no contexto europeu.
O novo sistema abrangerá cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de uso único consumidas anualmente, nomeadamente garrafas de plástico PET e latas de metal até três litros, que passam a ter um depósito reembolsável de 10 cêntimos.
Apesar da avaliação positiva, a associação ambiental sublinha que Portugal é o 19.º país da União Europeia a implementar este modelo, reiterando que a medida poderá ser determinante para cumprir metas nacionais exigentes, como a reciclagem de 70% das embalagens já em 2026 e 90% até 2029, bem como a incorporação de plástico reciclado em novas embalagens.
Vidro fora do sistema gera críticas
A Quercus critica, contudo, a exclusão do vidro do SDR, defendendo o regresso da tara retornável para este tipo de embalagens, uma prática que já existiu em Portugal. A associação considera que a integração futura do vidro no sistema seria um passo natural, à semelhança do que acontece em países como Alemanha, Dinamarca, Finlândia ou Croácia.
Segundo a organização, a recolha seletiva de vidro tem registado estagnação, com uma quebra de 1% em 2025, mantendo-se abaixo das metas previstas — atualmente nos 56%, quando o objetivo é atingir 75% até 2030.
Necessidade de esclarecer papel dos ecopontos
A associação alerta ainda para a importância de esclarecer os consumidores sobre a complementaridade entre o SDR e os sistemas tradicionais de reciclagem, como os ecopontos e a recolha porta-a-porta. Estes continuarão a ser essenciais para todas as embalagens não abrangidas pelo novo sistema, incluindo vidro, garrafões ou bebidas com elevado teor lácteo.
Desafios no comércio tradicional e eventos
Outro dos pontos destacados prende-se com a implementação no comércio tradicional e no canal HORECA (hotelaria, restauração e cafetaria), considerados os maiores desafios logísticos. A Quercus questiona a capacidade do sistema para abranger de forma eficaz cerca de 12 mil lojas e 80 mil estabelecimentos deste setor, defendendo soluções adaptadas, nomeadamente para grandes eventos como festivais ou competições desportivas.
Vouchers digitais e aposta na reutilização
Quanto ao modelo de reembolso, atualmente baseado na emissão de vouchers em papel nos pontos automáticos de recolha, a Quercus defende a criação de alternativas digitais, como aplicações móveis que permitam acumular saldo, reduzindo o consumo de recursos.
Por fim, a associação alerta que a implementação do SDR não deve comprometer o incentivo ao uso de recipientes reutilizáveis e à redução do consumo de embalagens descartáveis. “A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz na redução de resíduos”, sublinha.
A Quercus garante que acompanhará a evolução do sistema “Volta”, defendendo melhorias que promovam uma gestão de resíduos mais eficiente e sustentável em Portugal.



