A valorização do ouro nos mercados internacionais está a ter um impacto direto nas contas nacionais. As reservas de ouro do Banco de Portugal (BdP) já ultrapassam os 46 mil milhões de euros, um aumento de cerca de 47% desde o início de 2025, segundo cálculos baseados nos dados mais recentes e no preço atual do metal precioso.
O Banco de Portugal mantém 382,7 toneladas de ouro, uma quantidade que não sofreu alterações nos últimos anos, mas cujo valor de mercado disparou devido à escalada do preço da onça de ouro, que atingiu esta semana um novo máximo histórico acima dos 4.000 dólares.
De acordo com o Relatório de Implementação da Política Monetária de 2024, as reservas valiam cerca de 31 mil milhões de euros no final desse ano — já então um aumento expressivo de 34% face a 2023. A nova valorização confirma a tendência de subida contínua, impulsionada por fatores geopolíticos, pela procura crescente dos bancos centrais e pela fraqueza do dólar.
O ouro continua a ser visto como um ativo de refúgio em períodos de incerteza económica e instabilidade internacional, o que tem levado muitos países a reforçar as suas reservas ou a mantê-las como proteção estratégica.
Com o preço a aproximar-se dos recordes absolutos e as tensões globais a persistirem, tudo indica que o ouro continuará a brilhar nas contas do banco central português — um sinal de prudência financeira, mas também reflexo de um tempo de volatilidade e de desconfiança nos mercados.



