O presidente do Conselho de Administração da E-Redes considerou esta quarta-feira que a recuperação do sistema elétrico no dia do apagão, a 28 de abril de 2025, foi “excelente”, tendo permitido que 95% dos clientes tivessem eletricidade restabelecida até ao final desse dia. As declarações foram feitas numa audição parlamentar do grupo de trabalho da Comissão de Ambiente e Energia que está a avaliar as consequências do incidente, presidido pelo deputado vilaverdense Carlos Cação.
Perante os deputados, José Ferrari Careto explicou que a E-Redes manteve um contacto permanente com a REN durante todo o processo de reposição, sendo a recuperação feita de forma faseada, à medida que o operador da rede de transporte autorizava o aumento progressivo da carga. “A REN ia-nos dizendo: podem ligar mais ‘x’ megawatts de consumo”, relatou.
Segundo o responsável, a recuperação do sistema começou, na prática, por volta das 16 horas, mas só ganhou maior intensidade a partir das 21 horas, quando o sistema já apresentava robustez suficiente para aceitar mais consumo. “Ao final do dia, tínhamos 95% dos clientes abastecidos”, afirmou, sublinhando que o ritmo da reposição esteve sempre condicionado pela estabilidade do sistema elétrico.
José Ferrari Careto destacou que o facto de o fornecimento ter sido retomado a partir do meio da tarde e de quase todos os clientes estarem energizados ao final do dia demonstra “uma recuperação que faz jus à ‘performance’ do país do ponto de vista do setor da eletricidade”.
Ainda assim, reconheceu que há sempre espaço para melhorias. “Foi uma excelente recuperação. Tendo dito isto, obviamente há sempre ensinamentos e lições a aprender”, frisou, classificando o apagão como um acontecimento raro, “que acontece uma vez na vida”.
O corte generalizado de eletricidade afetou todo o território continental por volta das 11h30, com maior impacto em Lisboa. De acordo com a cronologia apresentada, a primeira tentativa de reposição de carga ocorreu às 14h45, a partir da central de Castelo de Bode, seguindo-se a injeção de energia pelo ponto do Zêzere às 15h31.
O presidente da E-Redes explicou ainda que o processo de recuperação envolve uma componente técnica e outra de priorização de clientes. Castelo de Bode foi o primeiro local a recuperar energia não por ser considerado prioritário, mas por se encontrar próximo de um centro eletroprodutor e por reunir as condições técnicas adequadas. A reposição avançou de forma gradual, com o fornecimento a chegar ao Porto às 19h25 e a Lisboa às 20h12.
Durante a madrugada de 29 de abril, à 1h00, foi energizada a última subestação a 60 kV, tendo a reposição total do fornecimento sido concluída por volta das 3h00.
Em audições anteriores no parlamento, o presidente executivo da REN, Rodrigo Costa, admitiu que não é possível garantir que não voltem a ocorrer apagões, defendendo que a prioridade do sistema elétrico deve ser a capacidade de recuperação rápida face a riscos técnicos, climáticos ou de cibersegurança.
Entretanto, o grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) apontou como causa mais provável do incidente um aumento de tensão em cascata, observado no sul de Espanha na fase final do apagão, seguido de desligamentos súbitos de produção, sobretudo renovável. Este fenómeno terá levado à separação elétrica da Península Ibérica do sistema continental europeu, provocando a perda de sincronismo e o colapso da frequência e da tensão.
O relatório final sobre o apagão elétrico deverá ser publicado durante o primeiro trimestre de 2026.






