Um acordo, que se mantém confidencial, evita a condenação de Rita Matias, deputada do Chega, no caso da revelação de nomes de crianças estrangeiras no Tik-Tok no âmbito do debate da Lei da Nacionalidade.
No final do julgamento, o tribunal proferiu uma decisão cuja natureza permanece confidencial. À saída do tribunal, a deputada do Chega reforçou que não poderia revelar pormenores, sublinhando que o processo foi resolvido através de um acordo estabelecido entre as partes, mas sem revelar do que se trata.
«Saiu uma decisão, este processo é confidencial, não posso revelar o que aconteceu. Houve um acordo estabelecido entre as partes. Somos pessoas de bem e bem intencionadas, o que nos move é a defesa de Portugal e dos portugueses. O tribunal tentou salvaguardar liberdade de expressão e a proteção de menores. Não houve repressão do discurso político, o que é uma vitória», disse, à saída do Tribunal.
«Estamos a dar um passo no sentido certo», acrescentou.
Questionada sobre se, atualmente, faria o mesmo, Rita Matias esclareceu: «Divulgaria na mesma medida; ficou claro em tribunal que foi exercício de retórica política para provar um ponto».
Pressionada sobre qual foi o veredicto do tribunal, a deputada do Chega concluiu: «Não é um pedido de desculpa o que foi acordado, é tudo o que posso dizer», explicou, fazendo referência a uma das exigências feitas pelos pais das crianças afetadas.
O CASO
O caso remonta a 4 de julho, quando a Assembleia da República debatia alterações à lei da nacionalidade.
Durante a sessão, o presidente do Chega, André Ventura, recitou vários nomes alegadamente pertencentes a crianças estrangeiras matriculadas numa escola de Lisboa, sugerindo que estas teriam passado à frente de crianças portuguesas.
Antes dessa intervenção parlamentar, Rita Matias já havia divulgado os mesmos nomes numa publicação no TikTok, sem apresentar qualquer prova da veracidade da informação.
A ação provocou fortes protestos dentro e fora do Parlamento. Várias bancadas manifestaram indignação e diversas associações de encarregados de educação emitiram uma carta aberta de repúdio.
A situação levou a que o Ministério Público abrisse um inquérito-crime a André Ventura e a Rita Matias.
A Comissão Nacional de Proteção de Dados também iniciou um processo de averiguações, tendo em vista a possível violação de direitos de menores.
Com Executive Digest



