A remuneração do conselho de administração da RTP – Rádio e Televisão de Portugal aumentou 18% em 2025, num ano em que a empresa pública registou prejuízos de cerca de 3,97 milhões de euros, segundo dados do Relatório e Contas divulgados e citados pelo jornal Correio da Manhã.
De acordo com o documento, os encargos totais com os órgãos sociais ascenderam a 422 mil euros, o valor mais elevado dos últimos seis anos.
A remuneração dos três membros do conselho de administração — Nicolau Santos, Hugo Figueiredo e Sónia Alegre — passou de 281.431 euros em 2024 para 333.746 euros em 2025, representando um acréscimo de 52.315 euros num só ano.
Os resultados líquidos negativos da estação pública foram influenciados, segundo o relatório, pelo plano de rescisões levado a cabo pela empresa, que implicou a saída de 71 trabalhadores e teve um impacto contabilístico de 2,26 milhões de euros.
Apesar do cenário de prejuízos, o salário médio na RTP registou igualmente um aumento de 6,8%, fixando-se nos 3.235 euros mensais. Os gastos globais com pessoal ultrapassaram os 79 milhões de euros.
A RTP continua a ter como principal fonte de financiamento a Contribuição Audiovisual (CAV), cobrada através da fatura da eletricidade. Em 2025, esta receita atingiu quase 195,7 milhões de euros.
Os dados agora revelados reacendem o debate em torno da gestão financeira da estação pública e da evolução dos encargos salariais numa empresa financiada maioritariamente por receitas públicas.



