O saxofonista norte-americano Sonny Rollins morreu na segunda-feira, aos 95 anos, confirmou uma porta-voz do músico à agência Associated Press. Considerado um dos maiores instrumentistas da história do jazz, Rollins encontrava-se praticamente confinado à residência onde vivia, em Woodstock, no estado de Nova Iorque, devido a vários problemas de saúde. Não foi divulgada uma causa específica para a morte.
Reverenciado pela extraordinária capacidade de improvisação e pelo som poderoso do saxofone tenor, Rollins era um dos últimos grandes representantes vivos da era bebop e uma figura central na evolução do jazz moderno, ao lado de nomes como John Coltrane e Charlie Parker.
Nascido no Harlem, em Nova Iorque, a 7 de setembro de 1930, Rollins cresceu numa família ligada à música. Aos 11 anos recebeu dos pais o primeiro saxofone, inicialmente um modelo alto, que rapidamente trocou pelo tenor, instrumento com o qual viria a tornar-se uma referência mundial. Autodidata, começou cedo a frequentar os clubes noturnos da cidade, integrando ainda adolescente a banda do pianista Thelonious Monk.
Ao longo da carreira colaborou com alguns dos maiores nomes do jazz, incluindo Miles Davis e Bud Powell.
A trajetória artística de Rollins foi, contudo, marcada por períodos de crise pessoal, sobretudo devido ao consumo de heroína. O músico chegou a cumprir penas de prisão e viveu em situação precária antes de procurar tratamento, em 1954, experiência que descreveu posteriormente como um despertar espiritual.
Dois anos mais tarde lançou o álbum Saxophone Colossus, considerado uma obra-prima do jazz e decisivo para a sua consagração internacional. Seguiram-se discos marcantes como Way Out West e Freedom Suite.
No auge da fama, surpreendeu o meio musical ao afastar-se temporariamente dos palcos para aperfeiçoar a técnica. Durante cerca de dois anos praticou sozinho na ponte de Williamsburg, em Nova Iorque, episódio que se tornou lendário na história do jazz.
Uma viagem ao Japão aproximou-o do Zen Budismo e motivou novo afastamento da indústria musical. O regresso aconteceu em 1972, já consagrado como uma das figuras maiores do jazz, passando a atuar regularmente nas principais salas de concertos do mundo.
O público do rock conheceu o trabalho de Rollins através da colaboração com os The Rolling Stones no álbum Tattoo You, de 1981. O saxofonista assinou o solo da balada Waiting on a Friend, uma das participações mais reconhecidas da sua carreira fora do universo do jazz.
Nas décadas de 1990 e 2000 continuou a lançar discos aclamados pela crítica e manteve uma disciplina rigorosa de estudo e atuação. O álbum This Is What I Do, lançado em 2001, valeu-lhe um Grammy de Melhor Álbum Instrumental de Jazz.
Uma fibrose pulmonar acabaria por obrigá-lo a abandonar os palcos. O último concerto realizou-se em 2012 e deixou definitivamente de tocar em 2014.
Apesar da influência e reconhecimento mundial, Rollins manteve sempre uma postura crítica em relação à própria obra, interrompendo frequentemente a carreira em busca de renovação artística e espiritual.
Numa entrevista concedida ao jornal The New York Times, em 2020, refletiu sobre o legado que deixaria e as inúmeras gravações inéditas que permanecem por editar.
“Depois de sair deste planeta não vou ter voto na matéria. Eu sofro muito com a minha música mas não vou ter de sofrer mais, graças a Deus.”



