O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quinta-feira, em Palácio de São Bento, que ainda não conhece a pronúncia definitiva do Tribunal Constitucional sobre o recurso que apresentou para impedir a divulgação da lista de clientes da consultora Spinumviva.
“O que está em causa é uma declaração que já foi feita e depois é o seu efeito em termos de publicitação”, esclareceu Montenegro, sublinhando que “não está em causa nenhum dever de declaração não cumprido”. O primeiro-ministro referiu ainda que a eventual publicitação da lista ocorreu por “via de uma fuga de informação” e não pelo processo normal de divulgação.
O recurso apresentado ao Tribunal Constitucional surge no contexto da exigência da Entidade para a Transparência, que no ano passado solicitou a Montenegro que registasse na declaração de património alguns dados, incluindo os clientes da Spinumviva, consultora que detinha antes de assumir funções como chefe do Governo e que posteriormente passou para os filhos.
O Tribunal Constitucional rejeitou inicialmente apreciar o recurso, decisão que não é definitiva, uma vez que o primeiro-ministro alegou nulidade do despacho. Por esta razão, o plenário de juízes terá de reunir-se novamente para reapreciar o caso e emitir uma decisão final.
O impasse, que já se prolonga por cerca de dez meses, retardou também o escrutínio de outros titulares de cargos políticos que detêm empresas direta ou indiretamente, deixando suspensas as regras de transparência aplicáveis a estes casos.



