O Tribunal de Matosinhos condenou esta sexta-feira a 23 anos de prisão um homem de 26 anos acusado de matar a ex-namorada com 21 facadas, em agosto do ano passado, em São Mamede de Infesta, depois de a ter filmado a manter relações sexuais com outro homem.
Durante a leitura da sentença, o presidente do coletivo de juízes afirmou que o arguido, David Marinho, agiu “movido por ciúmes” e que os factos estiveram diretamente relacionados com o fim do relacionamento com Ana Rita Dionísio.
Segundo o magistrado, apesar de o arguido alegar que a separação seria apenas temporária, “Ana Rita já tinha decidido terminar a relação”. O tribunal considerou ainda “incontroverso” que David Marinho retirou a vida à ex-companheira através de sucessivos golpes de faca, concluindo que “quis mesmo matar” e não apenas ferir a vítima.
Ainda assim, o coletivo afastou a ideia de premeditação prolongada defendida pelo Ministério Público, sublinhando que o arguido utilizou duas facas existentes na habitação da vítima e não levou armas consigo para o local.
Na primeira sessão do julgamento, realizada em março, David Marinho assumiu a autoria dos crimes, pedindo desculpa às famílias envolvidas e afirmando que perdeu o controlo ao confrontar-se com a relação entre Ana Rita e outro homem.
Perante os juízes, relatou que entrou na casa da ex-namorada, em São Mamede de Infesta, utilizando uma chave escondida na caixa da eletricidade, apercebendo-se de que a vítima estava acompanhada. Segundo declarou, aquilo que viu e ouviu “estava a corroê-lo”, acabando por permanecer na habitação enquanto filmava o casal.
De acordo com a acusação do Ministério Público, cerca de 20 minutos depois de gravar as imagens, o arguido dirigiu-se à cozinha, pegou em duas facas com mais de 20 centímetros e atacou ambos no quarto.
O homem que estava com Ana Rita conseguiu refugiar-se na casa de banho, apesar dos ferimentos graves, acabando por sobreviver após ser submetido a uma cirurgia de urgência no Hospital de São João. Já Ana Rita Dionísio sofreu pelo menos 21 golpes em várias partes do corpo, não resistindo aos ferimentos.
Após o crime, o arguido fugiu no carro da vítima em direção a Lisboa, levando consigo cartões bancários da ex-companheira. Foi posteriormente detido junto ao Aeroporto de Lisboa por inspetores da Polícia Judiciária, que apreenderam o telemóvel utilizado nas filmagens, roupa com vestígios de sangue e outros objetos relacionados com o caso.
Segundo o Ministério Público, David Marinho vinha insistindo para reatar a relação após o término do namoro, mantendo contactos frequentes com a vítima através de mensagens e redes sociais. A acusação sustentava que o arguido terá formulado um plano para “liquidar” a ex-namorada e o homem com quem suspeitava que esta mantinha uma relação.



