O Tribunal de Guimarães lê esta quinta-feira o acórdão do processo relacionado com a invasão do serviço de urgência do Hospital de Vila Nova de Famalicão e as agressões a dois enfermeiros e a um segurança, ocorridas em fevereiro de 2022.
O caso envolve 12 arguidos, pertencentes à mesma família — nove homens e três mulheres — que respondem por vários crimes, entre os quais ofensa à integridade física qualificada, ameaça, coação agravada, dano com violência e introdução em lugar vedado ao público.
A leitura da decisão judicial estava inicialmente marcada para o passado dia 11 de maio, mas foi adiada após o juiz presidente do coletivo comunicar alterações não substanciais dos factos aos advogados de defesa.
Segundo a acusação do Ministério Público, os factos ocorreram na madrugada de 22 de fevereiro de 2022, quando os arguidos se deslocaram ao hospital acompanhando uma familiar acidentada. O grupo terá tentado impor atendimento imediato através de intimidação e violência sobre profissionais de saúde e elementos de segurança.
De acordo com a investigação, os arguidos procuraram aceder diretamente à área reservada das urgências sem cumprir os procedimentos normais de registo e triagem. Para entrar no espaço, terão desferido vários murros na porta de acesso, partindo um dos vidros.
Já no interior das urgências, os elementos do grupo terão utilizado uma maca para transportar a familiar, exigindo assistência médica “em tom alto e ameaçador”, refere a acusação.
O Ministério Público sustenta ainda que um dos enfermeiros tentou impedir a invasão e apelar à calma, acabando agredido com murros e pontapés, mesmo depois de cair no chão. A acusação refere que o profissional foi atingido sobretudo na cabeça, tendo os agressores utilizado também uma barra metálica de suporte de soro retirada das macas hospitalares.
Uma segunda enfermeira, que tentou socorrer o colega, terá igualmente sido alvo de agressões físicas, incluindo bofetadas, puxões de cabelo e golpes com barras metálicas.
O segurança de serviço no hospital também terá sido atacado com murros, pontapés e atingido na cabeça com um ferro, segundo o processo.
Após os episódios de violência, os arguidos abandonaram o hospital levando consigo a familiar acidentada, sem que esta recebesse assistência médica. Um dos elementos do grupo responde ainda por um crime de furto, por alegadamente se ter apropriado do telemóvel de um dos enfermeiros agredidos.
Os 12 arguidos enfrentam acusações por três crimes de ofensa à integridade física qualificada, três crimes de ameaça, três crimes de coação agravada, um crime de dano com violência e um crime de introdução em lugar vedado ao público.



