O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta segunda-feira a intenção de impor uma taxa de 20% sobre as mercadorias que atravessem o estreito de Ormuz, defendendo que Washington deve ser compensado pelos custos associados à proteção daquela que é uma das mais importantes rotas marítimas do comércio mundial.
Através da plataforma Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como os “Guardiões do estreito de Ormuz”, justificando a criação da taxa com a necessidade de financiar a missão de segurança na região. “Os Estados Unidos serão agora conhecidos como os ‘Guardiões do estreito de Ormuz’, mas, em nome da justiça, receberão uma taxa equivalente a 20% do valor da carga”, escreveu.
Segundo o chefe de Estado norte-americano, a receita obtida destina-se a “cobrir todos os custos necessários para cumprir a missão de garantir a segurança desta região particularmente instável do mundo”, acrescentando que a medida entrará em vigor “imediatamente”, sem, contudo, revelar detalhes sobre o seu funcionamento ou os mecanismos de cobrança.
Na mesma publicação, Donald Trump anunciou ainda o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos, medida que, segundo afirmou, impede apenas navios ou clientes ligados ao Irão de entrar ou sair daqueles portos.
O bloqueio tinha sido levantado a 18 de junho, no âmbito de um memorando de entendimento celebrado entre Washington e Teerão, após o levantamento das restrições impostas na sequência do encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão. Contudo, o recrudescimento das hostilidades entre os dois países levou agora a Administração norte-americana a reverter essa decisão.
Em declarações ao canal Fox News, Trump reforçou que os Estados Unidos irão “assumir o controlo” da segurança do estreito, argumentando que, até agora, o faziam “de graça”.
“Vamos ser pagos para o proteger. Uma quantia significativa; queremos simplesmente ser reembolsados por tudo isto, por termos exposto as nossas tropas ao perigo”, afirmou.
O estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica por onde circula uma parte significativa das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, assumindo um papel determinante no abastecimento energético global e no comércio internacional.
A resposta de Teerão foi imediata. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Ebrahim Zolfaghari, garantiu que o Irão “não permitirá, em circunstância alguma”, qualquer interferência dos Estados Unidos na gestão do estreito.
As declarações surgem numa altura de renovada tensão militar entre Washington e Teerão, após uma nova vaga de ataques norte-americanos contra alvos iranianos e a consequente retaliação do Irão contra aliados regionais dos Estados Unidos, colocando em causa o cessar-fogo estabelecido em abril e o memorando de entendimento assinado entre os dois países em junho.
Entretanto, Teerão e Omã prosseguem negociações para definir um protocolo de segurança destinado à gestão da navegação no estreito de Ormuz, uma via marítima considerada essencial para o transporte de energia à escala mundial.



