O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou duras críticas ao Papa Leão XIV, acusando-o de não estar a desempenhar bem o seu papel e de adotar posições permissivas face ao crime, num novo episódio de tensão entre a Casa Branca e o Vaticano.
Em declarações a jornalistas e numa publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o líder da Igreja Católica “não está a fazer um bom trabalho” e é “fraco no combate ao crime”, além de o considerar “péssimo em política externa”.
O chefe de Estado norte-americano foi mais longe, sugerindo que o Papa foi escolhido sobretudo por ser norte-americano, numa tentativa de influenciar a relação entre o Vaticano e Washington. “Se eu não estivesse na Casa Branca, ele não estaria no Vaticano”, afirmou.
As declarações surgem após várias intervenções recentes do Papa Leão XIV, que tem criticado o clima de guerra internacional e alertado para os riscos de uma escalada de violência, nomeadamente no contexto das tensões com o Irão.
Num discurso recente, o pontífice denunciou aquilo que descreveu como a “ilusão de omnipotência” dos líderes mundiais e apelou ao diálogo e à contenção, posições interpretadas como uma crítica indireta à estratégia da administração norte-americana.
Trump reagiu a essas posições acusando o Papa de ceder à “esquerda radical” e de se comportar como um ator político, defendendo que deveria concentrar-se na liderança espiritual da Igreja.
O conflito verbal intensificou-se também nas redes sociais, onde o presidente norte-americano reiterou que não aceita críticas à sua política externa, nomeadamente no que diz respeito ao Médio Oriente e à segurança internacional.
Entretanto, no Vaticano, já houve reação às declarações. O padre Antonio Spadaro, responsável do Dicastério para a Cultura e Educação, acusou Trump de atacar “uma voz moral” que não se submete à lógica do poder político.
Este episódio evidencia o agravamento das divergências entre Washington e o Vaticano, num momento marcado por fortes tensões geopolíticas e por visões opostas sobre guerra, diplomacia e o papel das lideranças globais.



