O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicia esta quarta-feira uma visita oficial à China marcada por fortes tensões geopolíticas, disputas comerciais e pela crescente pressão internacional provocada pela guerra no Médio Oriente. Em Pequim, Trump encontra-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, numa cimeira considerada decisiva para o futuro das relações entre as duas maiores economias do mundo.
Embora a agenda oficial esteja centrada em temas económicos — como tarifas aduaneiras, exportação de tecnologia, Inteligência Artificial, cadeias de abastecimento e minerais raros —, o conflito com o Irão deverá dominar parte significativa das conversações entre os dois líderes.
A visita acontece cerca de um ano depois de Trump ter imposto tarifas elevadas sobre produtos chineses, numa tentativa de fragilizar economicamente Pequim e reduzir o défice comercial norte-americano. No entanto, vários analistas consideram que a estratégia falhou, levando Washington a recuar parcialmente nas medidas depois de perceber o impacto negativo na própria economia norte-americana.
“Trump precisa mais da China do que a China precisa de Trump”, afirmou Alejandro Reyes, especialista em política externa chinesa da Universidade de Hong Kong, citado pela agência Reuters.
A dependência dos Estados Unidos da produção chinesa de terras raras tornou-se um dos principais fatores de pressão sobre a administração norte-americana. A China controla entre 60% e 70% da produção mineira global destes minerais estratégicos e cerca de 90% do processamento e refinação mundial. No caso dos ímanes permanentes utilizados em carros elétricos, mísseis, turbinas e equipamentos eletrónicos, o domínio chinês ultrapassa os 90%.
Depois de Pequim ter restringido exportações destes materiais em resposta às tarifas impostas por Washington, os Estados Unidos enfrentaram dificuldades significativas em vários setores industriais e tecnológicos. As restrições acabaram parcialmente levantadas após contactos diplomáticos entre os dois países, mas a China manteve um importante instrumento de pressão estratégica.
Além da vertente económica, Trump procura também apoio diplomático chinês para travar a escalada do conflito com o Irão, aliado histórico de Pequim. A influência chinesa junto de Teerão é vista pela Casa Branca como essencial para evitar um agravamento da instabilidade regional.
O estatuto de Taiwan deverá igualmente estar em destaque nas conversações. Pequim considera a ilha parte integrante do território chinês e tem criticado o apoio político e militar norte-americano a Taipé. Trump já admitiu que o tema da venda de armamento norte-americano a Taiwan será discutido diretamente com Xi Jinping.
A visita decorre num contexto particularmente delicado para o Presidente norte-americano, confrontado com decisões judiciais internas, dificuldades económicas e críticas internacionais relacionadas com a sua política externa e migratória.
Trump viaja acompanhado por uma delegação empresarial que inclui executivos de algumas das maiores empresas tecnológicas dos Estados Unidos, entre eles Elon Musk, da Tesla, e Tim Cook, da Apple. Segundo a imprensa norte-americana, a comitiva empresarial será, contudo, mais reduzida do que a que acompanhou Trump na sua última visita a Pequim, em 2017.
O programa oficial da cimeira inclui encontros no Grande Salão do Povo, visitas culturais ao Templo do Céu — classificado como Património Mundial da UNESCO — e um banquete de Estado oferecido por Xi Jinping.
Apesar do ambiente protocolar, analistas internacionais consideram que a reunião poderá definir não apenas o futuro da relação sino-americana, mas também o equilíbrio estratégico global numa altura de crescente instabilidade internacional.
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