O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada desta quinta-feira que a ofensiva militar conjunta com Israel contra o Irão está “quase completa”, mas deixou um aviso claro: caso não seja alcançado um acordo, as centrais energéticas iranianas poderão ser alvo de ataques “em força”.
Num discurso à nação, cerca de um mês após o início da operação militar, Trump declarou que o regime iraniano sofreu perdas significativas e que os objetivos estratégicos estão próximos de ser atingidos.
“Nunca antes um inimigo sofreu perdas tão devastadoras em poucas semanas. Estamos a vencer”, afirmou o chefe de Estado norte-americano.
Segundo Trump, as capacidades militares do Irão foram amplamente neutralizadas. “Já fizemos tudo. A marinha deles desapareceu. A força aérea desapareceu. Os mísseis estão praticamente esgotados ou neutralizados”, disse.
Apesar do tom otimista, o Presidente admitiu que a ofensiva poderá intensificar-se no curto prazo, numa altura em que decorrem negociações diplomáticas. “Estamos no caminho para concluir todos os objetivos militares muito em breve. Vamos atingi-los extremamente forte nas próximas duas a três semanas”, acrescentou.
Trump sublinhou ainda que, até ao momento, o setor petrolífero iraniano não foi diretamente visado, apesar de o considerar um alvo estratégico acessível. No entanto, deixou em aberto uma escalada caso não haja entendimento. “Se não houver acordo, vamos atingir todas as centrais de produção de energia deles com muita força e provavelmente em simultâneo”, avisou.
No mesmo discurso, reiterou que os Estados Unidos não permitirão que o Irão desenvolva armas nucleares, classificando esse cenário como uma “ameaça intolerável”. O Presidente recordou também decisões tomadas durante os seus mandatos, incluindo a ordem para eliminar o general iraniano Qassem Soleimani.
“Se tivesse sobrevivido, teríamos uma conversa muito diferente esta noite”, afirmou, acrescentando: “Fiz o que nenhum Presidente esteve disposto a fazer”, numa referência à retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irão, negociado durante a administração de Barack Obama.
Num contexto de tensões acrescidas no Golfo Pérsico e com o bloqueio do Estreito de Ormuz, Trump assegurou que os Estados Unidos estão preparados para enfrentar eventuais impactos no fornecimento energético.
“Não precisamos do petróleo que vem do Estreito de Ormuz”, declarou, garantindo que o país dispõe de reservas suficientes. O Presidente norte-americano acrescentou ainda que a passagem marítima deverá reabrir após o fim do conflito.
Dirigindo-se aos países dependentes daquela rota estratégica, deixou um apelo à ação: “Arranjem coragem e tomem-no, protejam-no. A parte difícil já está feita.” Para os que optarem por não se envolver, sugeriu uma alternativa: “Comprem petróleo aos Estados Unidos. Temos muito e suficiente.”
As declarações surgem num momento crítico do conflito, com a comunidade internacional a acompanhar de perto o desenrolar das negociações e o risco de uma escalada regional.



