O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou esta segunda-feira a aplicação de tarifas de 50% sobre a maioria dos bens importados do Canadá, justificando a decisão com alegadas práticas discriminatórias por parte de Otava contra produtos norte-americanos.
Segundo informações avançadas por um responsável da administração norte-americana, citado pela agência Associated Press (AP) e outros meios de comunicação internacionais, sob condição de anonimato, a medida surge na sequência de uma disputa comercial entre os dois países.
A mesma fonte indicou que o Canadá foi um dos poucos parceiros comerciais dos Estados Unidos, juntamente com a China, a responder com medidas de retaliação às tarifas anteriormente anunciadas por Trump, razão pela qual Washington considera que deve haver consequências.
Para concretizar a decisão, Donald Trump terá assinado três decretos presidenciais, recorrendo a uma disposição prevista na Lei do Comércio de 1930, que permite a adoção de medidas tarifárias em determinadas circunstâncias.
As novas tarifas abrangem grande parte dos produtos canadianos que entram no mercado norte-americano, incluindo bens que anteriormente estavam protegidos por regras de isenção previstas no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
No entanto, a medida não inclui alguns setores considerados estratégicos, como produtos energéticos, potássio, peixe e minerais críticos.
A decisão surge num contexto de renovadas tensões comerciais entre Washington e Otava, depois de o acordo comercial USMCA, estabelecido em 2020, ter expirado recentemente, dando origem a uma nova ronda de negociações que poderá prolongar-se durante vários anos.
A administração norte-americana acusa o Canadá de manter barreiras comerciais consideradas injustas, nomeadamente em áreas como automóveis, bebidas alcoólicas e produtos lácteos, enquanto o Governo canadiano tem defendido a proteção dos seus interesses económicos e dos seus setores produtivos.
A aplicação das novas tarifas deverá aumentar a pressão sobre as relações económicas entre dois dos maiores parceiros comerciais da América do Norte.



