A União Europeia (UE) afastou a possibilidade de lançar uma missão militar no Estreito de Ormuz, rejeitando o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os aliados europeus contribuam com meios navais para garantir a navegabilidade naquela rota estratégica.
Na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, ficou claro que não existe intenção de alargar o âmbito das atuais operações navais europeias no Médio Oriente. Países como Alemanha, Portugal, Espanha e Itália manifestaram reservas quanto a qualquer envolvimento militar direto na região, sublinhando que a prioridade deve ser a via diplomática.
O debate chegou a incluir a hipótese de ajustar o mandato da operação Aspides, missão europeia atualmente focada na proteção de navios comerciais no Mar Vermelho contra ataques dos hutis, mas a proposta não reuniu consenso. No final do encontro, prevaleceu a posição de que não há condições políticas para expandir a missão ao Golfo Pérsico.
Em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, garantiu que Portugal não terá qualquer participação militar no conflito. “Portugal não está, nem vai estar, envolvido neste conflito”, afirmou, defendendo que os esforços devem centrar-se no plano político e diplomático.
O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que existe um “amplo consenso” entre os Estados-membros quanto à necessidade de assegurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, mas esclareceu que tal objetivo não implica o envio de forças militares para a região. Segundo referiu, eventuais reforços das missões europeias existentes devem ser analisados no âmbito dos respetivos mandatos, não sendo estas operações concebidas para intervir no atual contexto de tensão.
Entretanto, o presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu que os aliados da NATO deveriam colaborar na reabertura e segurança do estreito, argumentando que a Europa e outros países dependem do petróleo que passa por aquela via marítima. As declarações geraram reação cautelosa entre vários parceiros, que afastaram o envio de navios de guerra.
Também a Organização das Nações Unidas (ONU) apelou à contenção e ao recurso ao diálogo para ultrapassar o impasse, defendendo que a desescalada é essencial para evitar um agravamento da instabilidade regional e garantir a segurança das rotas marítimas internacionais.
Perante o cenário atual, a União Europeia reafirma a aposta numa solução diplomática, procurando coordenar esforços internacionais que garantam a liberdade de navegação sem recorrer à intervenção militar direta no Estreito de Ormuz.
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