O Presidente da República confirmou esta quinta-feira aos jornalistas que “a nossa embaixadora juntamente com o cônsul vão “amanhã de manhã [sexta-feira]” visitar os portugueses detidos por Israel, após ser intercetada a flotilha humanitária com destino a Gaza.
Marcelo Rebelo de Sousa esclareceu que vai ser aproveitado um “intervalo entre o feriado e o período religioso” no país, que celebra durante estes dias o Yom Kipur, o que “permitirá terem contacto com os detidos e ainda para perceber exatamente o que se está a passar em termos de identificação administrativa”.
O chefe de Estado português revelou que “vai ser apresentada uma escolha aos detidos”.
“Ou assinam um documento, dizendo que saem com a sua concordância do território de Israel, e aí, Israel cobre as despesas dessa saída o mais rápido possível”, começou por dizer.
“Ou preferem a outra via que é ficar em território israelita e nessa medida iniciar o processo que conduz à intervenção do juiz, que depois decidirá em que termos ocorre essa saída – e aí já o Estado de Israel não cobriria essas saídas”, explicou.
Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ainda que não sabe o estado de saúde atual dos portugueses e que, por enquanto, ainda não há previsão sobre quando acontecerão as saídas dos ativistas de Israel.
PROTESTOS
Decorrem esta quinta-feira vários protestos pró-Palestina e contra o Estado de Israel em diferentes cidades mundiais, nomeadamente em Lisboa.
Israel está a ser alvo de grande contestação internacional depois de ter intercetado a flotilha com ajuda humanitária com destino a Gaza e de ter detido os mais de 400 ativistas que seguiam a bordo.
Há também manifestações em Espanha contra a ação de Israel. Milhares de pessoas manifestam-se em Barcelona e Madrid, à porta à porta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em apoio à flotilha e contra o Governo de Netanyahu.
Em Marselha, sul de França, cerca de 100 manifestantes pró-Palestina foram detidos esta quinta-feira, acusados de bloquear a fábrica de armas Eurolinks, acusada de fornecer componentes militares a Israel para a sua ofensiva na Faixa de Gaza.
Nas redes sociais, imagens filmadas por manifestantes mostraram bandeiras palestinianas nas instalações da empresa, juntamente com slogans como “A Eurolinks assassina as crianças da Palestina” e “Parem de armar Israel”.
Em Genebra, na Suíça, cerca de 2000 pessoas reuniram-se ao final da tarde desta quinta-feira para expressar a sua solidariedade com a Palestina e com a flotilha para Gaza intercetada por Israel. Esta ação de protesto espontânea e não autorizada paralisou o trânsito no centro da cidade.
Há também registo de protestos em Itália, Polónia, Países Baixos, Alemanha, Paquistão, Malásia e no México.



