Protesto levou ao bloqueio do acesso ao espaço provisório de contentores. GNR interveio para permitir a entrada de trabalhadores. Autarquia garante retoma das obras; pais dizem que alunos não regressam às aulas naquele local.
Cerca de uma dezena e meia de pais e encarregados de educação bloquearam, na manhã desta terça-feira, a entrada do espaço provisório de contentores onde funcionam as aulas da Escola Básica de Gême, no concelho de Vila Verde, colocando cadeados e correntes no portão de acesso e rampa de acesso. No local foi afixada uma mensagem de protesto: “Basta! Queremos segurança e bem-estar das crianças”.
O espaço temporário foi instalado pela câmara municipal enquanto decorrem as obras de reabilitação do edifício escolar.
Os manifestantes alegam falta de condições para o funcionamento das aulas e para a permanência das crianças. «Não podemos ter os nossos filhos neste espaço, com barulho constante, circulação de pessoas estranhas e sem um recreio seguro e digno», afirmaram alguns dos pais presentes.
Segundo os encarregados de educação, a solução passa por «terminar rapidamente a obra» ou, em alternativa, «arranjar um espaço digno, com bons acessos e condições de segurança» para acolher os alunos durante o período de intervenção no edifício principal.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) foi chamada ao local para desimpedir a passagem dos trabalhadores da autarquia.
Após a remoção dos cadeados e correntes, foi possível o acesso ao recinto, onde decorrem trabalhos relacionados com a criação de uma futura arrecadação.
Contactados no local, responsáveis autárquicos garantiram que as obras serão retomadas.
Do lado dos pais, mantém-se a posição de que as crianças não voltarão a frequentar o espaço de contentores, assumindo um impasse que promete prolongar o braço de ferro entre a comunidade educativa e a autarquia.
«Se os problemas não forem resolvidos de imediato, levaremos o caso à Inspeção-Geral da Educação, ao Ministério Público e a todas as entidades competentes», afirmam os pais, que não excluem outras formas de protesto para garantir a integridade física dos seus filhos.
REAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL
Já ontem, a câmara municipal de Vila Verde disse que todas as questões estavam a ser acauteladas.
Contactado pelo jornal “O Vilaverdense”, o vereador da Educação, Manuel Lopes, assinala que «o espaço onde a Câmara Municipal está a fazer a obra para ampliar o anexo da Junta de Freguesia está vedado e o recreio que existe para os alunos, quando não estiver a chover, é suficiente, embora não seja um grande recreio».
Segundo Manuel Lopes, em função das obras de reabilitação da escola, foram instalados dois contentores no logradouro da Junta de Freguesia e está a ser utilizado também o salão da freguesia para o refeitório e outras atividades complementares.
«As salas [nos contentores] estão plenamente vedadas e têm até melhores condições, desse ponto de vista, do que a anterior escola. Há ainda o espaço da Junta de Freguesia como complemento, o que permite ter as condições para a comunidade escolar durante este período de obras, que claro que cria sempre constrangimentos», referiu o vereador da Educação.
No caso da cobertura entre os contentores e os outros espaços, Manuel Lopes disse que, tal como acontece no caso do Centro Escolar de Vila Verde, onde os pais também apresentaram essa queixa, o município «está a analisar a forma como poderá resolver o problema. O que estamos a fazer é exatamente no sentido de eliminar as situações de risco para as crianças», concluiu.
E remata: «estamos sempre disponíveis para ouvir e melhorar as condições. Tudo o que tenha a ver com questões de segurança das crianças, estão acauteladas e estamos abertos a dialogar e melhorar».
Segundo Manuel Lopes, a escola deverá estar pronta no início do próximo ano letivo.






















