O antigo presidente da concelhia do CHEGA de Vila Verde e ex-vereador eleito pelo partido, Fernando Feitor, revelou ter sido convidado a regressar à estrutura partidária para apoiar uma candidatura à Distrital de Braga, mas garante que recusou o convite por considerar que continuam por resolver os problemas internos que motivaram a sua saída.
Numa carta aberta dirigida aos cidadãos de Vila Verde, Fernando Feitor afirma que não pode apoiar “projetos políticos nem lideranças que nunca reconheceram os erros cometidos, nem a forma como trataram quem ajudou a construir o partido em Vila Verde”.
O antigo responsável concelhio explica que a decisão de tornar pública a sua posição resulta de um “dever de consciência” para com os cidadãos e com aqueles que defendem uma prática política assente na transparência, coerência e democracia.
Na missiva, recorda o percurso que manteve no partido, onde desempenhou funções como militante, presidente da concelhia e vereador eleito, afirmando ter contribuído para o crescimento da estrutura local e representado os eleitores “com total empenho e dedicação”.
Fernando Feitor sustenta que o afastamento da estrutura partidária ocorreu depois de ter começado a denunciar aquilo que considera serem falhas graves no funcionamento interno do CHEGA. Entre as críticas apontadas, refere a alegada manutenção de concelhias e estruturas distritais sem processos eleitorais internos atualizados, situação que, na sua opinião, contraria princípios democráticos fundamentais.
O antigo autarca critica ainda a forma como o partido tem respondido às exigências formuladas pelo Tribunal Constitucional relativamente aos seus estatutos e funcionamento interno, considerando que as dificuldades verificadas demonstram uma “falta de respeito institucional pelas regras que todos os partidos políticos devem cumprir”.
Na carta, Fernando Feitor refere igualmente a existência de situações relacionadas com documentação e declarações apresentadas em contexto judicial que, segundo afirma, levantaram dúvidas sobre a transparência da estrutura partidária.
O ex-dirigente considera que, em vez de promover o debate interno, a direção optou por afastar os militantes que questionavam o funcionamento do partido. A propósito do seu caso, afirma que, após ter solicitado a desfiliação, acabou por ser formalmente expulso oito dias depois, classificando essa decisão como um ato de caráter persecutório.
Fernando Feitor dirige ainda críticas à liderança nacional do partido, acusando o presidente do CHEGA, André Ventura, de ter mantido a confiança política em Filipe Melo, escolhido como candidato à Câmara Municipal de Vila Verde, apesar das divergências e conflitos internos existentes na estrutura local.
Segundo o antigo vereador, o recente convite para regressar ao partido confirmou a sua convicção de que o problema nunca esteve relacionado com o seu trabalho político, mas sim com a sua postura crítica perante situações que considerava incorretas.
“Quando lhes convém, procuram novamente aqueles que antes procuraram afastar”, escreve.
Na conclusão da carta aberta, Fernando Feitor deixa uma reflexão dirigida aos cidadãos de Vila Verde, questionando a forma como os partidos tratam os seus próprios dirigentes e militantes quando estes deixam de ser politicamente úteis.
“A democracia não pode existir apenas nos discursos. Tem de começar dentro dos próprios partidos”, afirma.



