O Fórum Cultural das Neves, em Viana do Castelo, recebe no próximo dia 7 de agosto, pelas 19h30, a inauguração da primeira exposição do Neiva Lab, uma residência de fotografia artística promovida pela Associação Filhos do Neiva, que decorrerá entre 2025 e 2029.
A mostra apresenta os resultados do primeiro ano da residência artística e destaca o trabalho desenvolvido pelas fotógrafas Silvy Crespo e Juliana Maar, que exploraram diferentes perspetivas sobre o território do Vale do Neiva, estabelecendo um diálogo entre a fotografia contemporânea, o património e as comunidades locais.
Entre os projetos em exposição sobressai o de Silvy Crespo, desenvolvido em estreita ligação com o Museu do Linho e do Mundo Rural, em Marrancos. O espaço museológico serviu de ponto de partida para a investigação e criação da artista, que encontrou no museu um testemunho vivo da memória, das tradições e da identidade do mundo rural da região.
O projeto contou com a colaboração do Museu do Linho e do Mundo Rural, nomeadamente através do apoio e da partilha de conhecimentos de Abílio, cuja disponibilidade foi determinante para o desenvolvimento do trabalho. Algumas das fotografias agora apresentadas foram realizadas no interior do museu, integrando os seus objetos, ambientes e património material como elementos centrais da narrativa visual construída pela autora.
Criado na sequência do sucesso dos Encontros Fotográficos das Neves, o Neiva Lab assume-se como um projeto artístico de longa duração dedicado à fotografia contemporânea, procurando estabelecer pontes entre a criação artística, o património cultural e ambiental e as comunidades do Vale do Neiva.
Mais do que uma residência artística, o projeto pretende fomentar relações duradouras com instituições, associações e habitantes da região, reconhecendo o contributo destas entidades para a preservação da memória coletiva e para a valorização do património local. A parceria com o Museu do Linho e do Mundo Rural é apontada como um exemplo desse compromisso, evidenciando o potencial do diálogo entre artistas e comunidades para enriquecer os processos criativos e proporcionar novas leituras sobre o território.
Profundamente ligado ao mundo rural e aos territórios do interior, o Neiva Lab destaca ainda a importância da descentralização da oferta cultural. As exposições produzidas no âmbito da residência foram concebidas para circular por diferentes espaços do Vale do Neiva e de outras regiões, contribuindo para divulgar o património local junto de novos públicos.
Nesta primeira edição, a ceramista Grácia foi também convidada a criar uma peça inédita em diálogo com os trabalhos das duas fotógrafas residentes, reforçando a ligação entre diferentes linguagens artísticas.
A exposição estará patente no Fórum Cultural das Neves até 30 de setembro de 2026, assinalando o início de um ciclo anual de mostras que pretende continuar a revelar novos olhares sobre o Vale do Neiva e a destacar o papel das instituições locais na preservação e valorização da identidade deste território.



