O Presidente da Ucrânia apresentou esta quarta-feira um plano elaborado em conjunto com os Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia.
O projeto revelado pelo Presidente ucraniano tem 20 pontos e deverá ser entregue ainda hoje à Rússia. Prevê garantias de segurança para a Ucrânia, o congelamento das linhas da frente no terreno e o início das discussões para a criação de zonas desmilitarizadas.
Zelensky diz, no entanto, que ainda não há acordo sobre duas questões fundamentais: o controlo da central nuclear de Zaporijia, ocupada pelas forças russas, e o controlo da região do Donbass.
Se esta versão do plano for aprovada por Moscovo, o documento final será assinado pelos líderes da Ucrânia, da Rússia, dos Estados Unidos e por representantes europeus. O esperado é que, assim que for assinado, entre em vigor um cessar-fogo.
OS 20 PONTOS DO PLANO-CONJUNTO:
A proposta inicial da Ucrânia contava com 28 pontos, mas foi agora revista para apenas 20. São eles:
- Reconhecimento da soberania da Ucrânia
- Acordo de não-agressão entre a Rússia e a Ucrânia
- Garantias de segurança
- Limite máximo de 800.000 efetivos para as forças armadas ucranianas em tempo de paz
- Os EUA, a NATO e a Europa fornecerão garantias de segurança à Ucrânia com base na cláusula de defesa mútua do Artigo 5.º da NATO; uma nova invasão russa terá uma resposta militar e novas sanções
- A Rússia consagrará uma política de não-agressão em relação à Europa e à Ucrânia
- A Ucrânia tornar-se-á membro da UE, com planos para fixar a data de adesão
- Um pacote de desenvolvimento global a ser determinado num acordo de investimento separado
- A criação de vários fundos para abordar questões de recuperação (objetivo: 680 mil milhões de euros)
- Aceleração do acordo de livre comércio entre a Ucrânia e os EUA
- Estatuto de país livre de armas nucleares
- (Ainda sem acordo) Central Nuclear de Zaporijia: os EUA propõe um acordo trilateral, com os EUA como gestor principal; Kiev sugere dividi-lo 50/50 entre os EUA e a Ucrânia
- Programas educativos nas escolas para promover a compreensão e a tolerância de diferentes culturas e eliminar o racismo e o preconceito
- (Ainda sem acordo) Territórios: uma das hipóteses prevê a retirada da Rússia de Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Sumy e Kharkiv, enquanto a Ucrânia mantém as suas posições em Donetsk, Luhansk, Zaporijia e Kherson. A Rússia exige que a Ucrânia saia de Donetsk, enquanto os EUA propõem um compromisso: uma zona económica livre. Se o acordo de ‘manutenção das posições’ falhar, a zona económica livre exigiria um referendo, e todo o documento seria então submetido a votação
- A Rússia e a Ucrânia comprometem-se a não alterar os acordos pela força
- A Rússia não impedirá a Ucrânia de utilizar o rio Snipro e o Mar Negro para fins comerciais. A região de Kinburn será desmilitarizada
- Troca de prisioneiros, regresso de civis, crianças e prisioneiros políticos
- A Ucrânia deve realizar eleições logo após a assinatura do acordo
- Este acordo será juridicamente vinculativo. A sua implementação será monitorizada por um Conselho de Paz liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump
- Assim que todas as partes concordarem com este acordo, um cessar-fogo total entrará em vigor imediatamente.



