O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, protagonizou esta quinta-feira um discurso incisivo no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, criticando a postura da Europa face à agressão militar russa e apelando a uma ação concreta e reforçada por parte dos Estados europeus.
Zelensky, que participou em Davos após se reunir com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, lamentou a persistente hesitação da Europa em reforçar a sua defesa coletiva. “Hoje, a Europa simplesmente acredita que se houver uma ameaça, a NATO irá agir. Mas se [Vladimir] Putin decidir invadir a Lituânia ou atacar a Polónia, quem responderá?”, questionou o líder ucraniano, reforçando a necessidade de capacidades defensivas autónomas europeias em vez de uma dependência exclusiva de garantias externas.
No seu discurso, Zelensky comparou a situação atual com um “Groundhog Day” — uma referência ao filme O Feitiço do Tempo, em que o mesmo dia se repete — que simboliza a sensação de estagnação no apoio europeu à Ucrânia desde a sua última intervenção em Davos. “No ano passado, aqui em Davos, disse que a Europa precisa de saber como se defender. Passou um ano e nada mudou”, afirmou, segundo relatos presentes na cobertura mediática do evento.
O presidente ucraniano frisou ainda a importância de a Europa desenvolver forças armadas mais robustas e estruturas de defesa que possam responder de forma decisiva a ameaças externas, em vez de confiar unicamente na liderança e nas garantias de segurança proporcionadas pelos Estados Unidos no seio da NATO.
Zelensky também abordou a questão económica, defendendo que medidas adicionais, como a apreensão de navios russos e a utilização dos seus recursos para financiar o apoio à Ucrânia, poderiam reduzir a capacidade de Moscovo de sustentar a sua campanha militar e ajudar Kiev a fortalecer a sua resistência.
O discurso do presidente ucraniano em Davos surge num contexto de intensificação das tensões geopolíticas e de repetidos apelos internacionais para que aliados reforcem o apoio à Ucrânia, tanto militar como diplomaticamente, enquanto esforços de paz e negociações diplomáticas continuam em várias frentes.
Zelensky concluiu apelando à ação imediata por parte da Europa, sublinhando que a segurança e a paz futuras dependem não apenas de palavras, mas de ações concretas dos Estados europeus e dos seus parceiros.
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