O futuro Aeroporto Luís de Camões ficará ligado ao centro de Lisboa em cerca de 20 minutos por ferrovia, através de uma ligação dedicada de alta velocidade, segundo o plano apresentado esta quarta-feira pelo Governo durante a sessão “Expansão e modernização do sistema aeroportuário nacional: ligar Portugal ao Mundo”, realizada no Centro Cultural de Belém.
De acordo com o projeto, a infraestrutura ferroviária deverá entrar em funcionamento em 2034, em simultâneo com a abertura da linha de alta velocidade e da ligação direta ao novo aeroporto.
A futura estação ferroviária contará com quatro linhas e três plataformas, permitindo ligações diretas de longo curso a várias regiões do país. Segundo a ANA – Aeroportos de Portugal, o aeroporto será servido por um serviço shuttle de alta velocidade que utilizará a Terceira Travessia do Tejo, reduzindo o tempo de viagem até ao centro de Lisboa para cerca de 20 minutos.
A concessionária estima que 20 milhões de passageiros por ano utilizem a ferrovia nas deslocações de e para o aeroporto.
O plano integra o relatório técnico entregue pela ANA ao Governo na semana passada, documento que servirá de base ao processo de licenciamento ambiental. A empresa prevê submeter o Estudo de Impacte Ambiental até ao final deste mês.
Durante a apresentação, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, afirmou que o projeto continua alinhado com o calendário inicialmente previsto.
“Estamos completamente a tempo daquilo que era o plano inicial”, afirmou o governante, destacando igualmente a transparência no acompanhamento das diferentes fases do processo.
Além da componente ferroviária, o projeto contempla um vasto conjunto de intervenções rodoviárias, incluindo a construção de 250 quilómetros de novas estradas e a requalificação de mais de 50 quilómetros da rede viária existente.
Entre as principais obras previstas estão as ligações das estradas nacionais EN4, EN10 e EN119 ao aeroporto, a ligação entre a A33, A12 e A13, bem como a construção do IC13, que ligará o aeroporto a Ponte de Sor e Alter do Chão.
Segundo as estimativas apresentadas, a nova rede viária deverá suportar um movimento diário de cerca de 65 mil veículos ligeiros e dois mil veículos pesados.
O projeto inclui ainda a requalificação da Estrada Nacional 4, a duplicação da EN118 e a beneficiação da EN119, reforçando a mobilidade entre os municípios das duas margens do rio Tejo.
O Aeroporto Luís de Camões, cuja construção está estimada entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros, deverá iniciar operações com duas pistas, um terminal com cerca de 500 mil metros quadrados e capacidade para receber 56 milhões de passageiros por ano, assumindo-se como a futura principal porta de entrada aérea de Portugal.
[email protected] / Foto: Hugo Amaral/ECO



