Mais de 1800 falsos alertas para incêndios ocuparam 13 mil bombeiros no último ano

O número de falsos alarmes para incêndios urbanos em Portugal está a aumentar, com mais de 1800 ocorrências registadas no ano passado. Estes incidentes mobilizaram milhares de viaturas e mais de 13 mil bombeiros, com a região Norte a apresentar o maior volume de episódios. Estes dados estão detalhados no segundo Anuário de Segurança contra Incêndio em Edifícios, publicado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Em 2023, dos 9665 alertas de incêndios urbanos registados, cerca de 20% foram falsos.

As corporações de bombeiros receberam 1840 alertas que não se confirmaram no terreno, o número mais alto desde 2020, quando ocorreram 1717 falsos alarmes, seguidos por 1656 em 2021 e 1706 em 2022.

Estes incidentes resultaram na mobilização de 13 592 bombeiros e 3947 viaturas. A maioria (94,29%) dos falsos alarmes ocorreu em edifícios habitacionais, industriais, oficinas, armazéns, comerciais e escolares.

Fernando Curto, presidente da Associação Nacional dos Bombeiros, expressou ao Jornal de Notícias (JN) que não encontra justificações para o aumento destes falsos alarmes, apesar dos esforços de sensibilização das autoridades. Muitos destes alertas são feitos a partir de “telefones fixos” que são “desligados automaticamente” sem qualquer fundamentação.

REGIÃO NORTE

A região Norte registou o maior número de falsos alarmes (775), seguida por Lisboa e Vale do Tejo (638) e Centro (224). As regiões com menos episódios foram o Algarve (151) e o Alentejo (47).

Fernando Curto sublinhou as implicações negativas da mobilização de meios para falsos alarmes, referindo o “gasto de material de atividade” e a “frustração muito grande para os bombeiros”.

Contudo, garantiu que “uma ocorrência verdadeira não fica prejudicada pelo falso alarme”. O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros sugere mais patrulhamento nas zonas de risco, controlo dos telefonemas e campanhas de sensibilização para combater este problema.

Os incêndios urbanos em Portugal causaram a morte de 29 pessoas em 2023, uma diminuição de 13 mortes em comparação com 2022.

No entanto, o número de feridos graves aumentou para 91, e os feridos ligeiros subiram para 932, um aumento de 174 em relação ao ano anterior.

Houve também 717 pessoas assistidas, comparativamente às 610 de 2022. A maioria destes incidentes ocorreu em habitações, com a região de Lisboa e Vale do Tejo a apresentar o maior número de vítimas mortais (10), seguida pela região Norte (7).

Fernando Curto destacou que o “descuido, nomeadamente dos idosos, leva a situações desta natureza”, especialmente nas zonas urbanas onde muitos idosos vivem sozinhos.

Segundo a ANEPC, 48% dos incêndios urbanos investigados tiveram origem dolosa, 12% foram de origem negligente, 25% acidental e 15% inconclusiva.

Metade dos 9665 incêndios urbanos registados em 2023 ocorreram na Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto, Península de Setúbal e região de Coimbra.

A maioria dos incidentes verificou-se nos meses mais frios, quando as temperaturas são mais baixas.

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Com Executive Digest

Jornal O Desportivo

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