O deputado do PSD e presidente da Junta da União de Freguesias do Vade, Carlos Cação, respondeu às críticas do PS de Vila Verde, a propósito da linha de muito alta tensão, acusando a estrutura socialista de mentir para “esconder incompetência e desespero”.
“Num ato de desespero e depois de desvalorizada e desqualificada pela sua Federação Distrital do PS, a concelhia de Vila Verde do Partido Socialista emitiu hoje uma nota de imprensa sustentada em mentiras sobre o processo de construção da linha de muito alta Tensão que atravessa a UF da Ribeira do Neiva e também a UF do Vade”, refere Cação.
O também vice-presidente do PSD de Vila Verde sublinha, tal como já fizera a Câmara Municipal, que esta linha “foi aprovada e licenciada pelo Governo do Partido Socialista, num processo lamentável e que praticamente inviabilizou a reação das autarquias e das populações locais, em que até a fase de discussão pública decorreu num quase secretismo”, lembrando que “foi também o Governo do PS que classificou o projeto da REN-Redes Energéticas Nacionais como de interesse nacional”.
“É por isso de uma hipocrisia inqualificável que a concelhia de Vila Verde do PS, liderada por Filipe Silva, venha agora dizer que se coloca ao lado da população, contra uma intervenção cuja concretização é da absoluta responsabilidade do próprio PS. Acresce a agravante que esta concelhia do PS/Vila Verde nunca fez qualquer ação para promover as posições dos populares e das freguesias atingidas por esta linha construída pela REN”, acrescenta.
Num longo comunicado, Carlos Cação assinala, mais do que uma vez, as “falsidades emitidas pela concelhia do PS” e vinca que, ao longo deste processo, “as iniciativas promovidas pela Câmara Municipal, pelas Juntas das Uniões de Freguesias, por movimentos associativos e pela população local, nunca conseguiram obter o apoio ou a anuência do Governo do PS – e nomeadamente do então Ministério do Ambiente e Energia do governo PS”. “Nem mesmo as ações judiciais e uma providência cautelar dos municípios conseguiram reverter o processo”, diz.
“SEMPRE CONTRA”
Carlos Cação assegura que, como deputado à Assembleia da República, interpelou “por diversas vezes, tanto o anterior Governo do PS como o atual Governo da AD sobre os problemas desta linha”. “Como presidente da Junta da UF do Vade, sempre me manifestei contra o projeto, que foi desenvolvido à revelia das populações e das instituições locais. Aliás, essa mesma posição foi deixada bem clara também na Assembleia Municipal – em intervenções assumidas por mim e igualmente pelo presidente da Junta da UF da Ribeira do Neiva”, enumera.
O deputado social-democrata acrescenta que “foi já com o Governo da AD e através da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que foi possível ganhar abertura para reavaliar o projeto, já herdado como ‘irreversível’”. “Apesar disso, e depois de várias reuniões e visitas ao terreno, foi possível convencer a REN a introduzir alguns ajustes no traçado e no projeto de implantação da linha, com o apoio do ministério do Ambiente e Energia e da APA-Agência Portuguesa do Ambiente, para que fosse minimizado o impacto da linha, designadamente sobre o património ambiental e paisagístico”, diz.
Cação lamenta a “postura de falsidade assumida pelo Partido Socialista de Vila Verde, procurando enganar e iludir as populações locais”. “Depois de consumado o processo sem que alguma vez tenha procurado demover o governo do seu próprio partido, o PS/Vila Verde dá-se ao desplante de atirar acusações falsas a quem ao longo deste processo sempre atuou e agiu na defesa dos interesses das nossas freguesias e das populações locais”, diz, acusando a estrutura socialista de “desespero”.
“Percebe-se o desespero do PS/Vila Verde, depois de ter sido relegado para lugares tão secundários na lista de candidatos a deputados do distrito nas próximas eleições legislativas, ao ponto de ‘optar’ por ficar de fora. Percebe-se também o desencanto socialista liderado por Filipe Silva, que continua apeado na administração da Águas do Norte sem nunca ter contribuído para resolver os problemas do serviço da empresa pública no concelho. Mas nada justifica faltar à verdade de forma consciente e mal-intencionada – o que significa mentir e evidentemente classifica apenas os seus autores”, conclui Carlos Cação.
DURAS CRÍTICAS DO PS
O comunicado do deputado e presidente da Junta do Vade surge em reação a uma tomada de posição do PS de Vila Verde, para quem a execução desta linha de muito alta tensão configura uma “ameaça ambiental” na Serra do Oural, na Ribeira do Neiva. A estrutura socialista apontou o dedo à Câmara Municipal e ao deputado do PSD Carlos Cação, que acusam de “enganar a população”.
No comunicado, que o jornal “O Vilaverdense” noticiou ao início da tarde desta sexta-feira, o PS diz que “a Câmara e o deputado simularam apoiar os populares, enquanto estendiam uma passadeira vermelha a um verdadeiro atentado contra o património ambiental do concelho, na idílica Serra do Oural”.
“Pela frente, fizeram declarações públicas e até moções para alterar o percurso da linha de muito alta tensão. Atrás das portas fechadas dos gabinetes, a postura mudou bastante. O percurso foi definido, a área de risco foi ignorada e a população nunca foi sequer informada”, refere o comunicado socialista.