Após 102 anos de proibição, os banhos no rio Sena foram reabertos ao público no sábado, 5 de julho. No entanto, a alegria durou pouco. Um dia depois, a Autoridade Marítima e as autoridades francesas foram obrigadas a interditar novamente as três zonas de banho devido a problemas na qualidade da água, resultado da previsão de chuvas fortes. As bandeiras vermelhas foram hasteadas para alertar os banhistas.
Segundo o jornal francês Le Parisien, o sistema de esgotos de Paris, construído no século XIX, tende a transbordar durante chuvas intensas. Como as águas pluviais e residuais circulam pelo mesmo sistema, o excesso é despejado no Sena como mecanismo de segurança, evitando o transbordo nas ruas da capital.
Esta situação eleva o risco de contaminação da água, forçando as autoridades a encerrar temporariamente os banhos por um período de 24 a 36 horas após as chuvas. A próxima reabertura de algumas zonas está prevista para esta terça-feira, de acordo com a página oficial do Município de Paris.
A Câmara Municipal de Paris assegura que a qualidade da água é testada diariamente para garantir a segurança dos banhistas, utilizando bandeiras coloridas (verde para boa qualidade, vermelho para água imprópria ou correntes fortes). Contudo, devido às constantes oscilações de temperatura e aos períodos de precipitação, estas interdições poderão tornar-se recorrentes ao longo deste verão e durante toda a época balnear no rio Sena.
Nas últimas semanas, Paris enfrentou uma vaga de calor, com temperaturas a rondar os 40 graus. Nos últimos dias, a temperatura caiu drasticamente, e algumas regiões de França emitiram alerta de tempestade moderada.
Desde 5 de julho, e com previsão até 31 de agosto, voltou a ser possível nadar no rio Sena, algo que era ilegal desde 1923 devido aos elevados níveis de poluição e aos riscos associados à navegação fluvial.
No ano passado, Paris foi palco dos Jogos Olímpicos de 2024, que decorreram entre 26 de julho e 11 de agosto. Na altura, a cidade iniciou um projeto de limpeza no valor de 1,4 mil milhões de euros, com o objetivo de tornar o rio novamente apto para a prática de desportos aquáticos. O plano incluiu sistemas avançados de desinfeção, novas ligações de saneamento para as casas flutuantes e a construção de um grande reservatório para reduzir a contaminação durante as chuvas.
Apesar dos avultados investimentos, a sustentabilidade dos banhos no Sena parece depender criticamente das condições meteorológicas, levantando questões sobre a frequência com que os parisienses poderão desfrutar do seu rio neste verão.



