Novas escavações arqueológicas no Monte do Oural, na união de freguesias de Vade, em Vila Verde, estão a revelar descobertas sobre um património megalítico de valor incalculável. Os trabalhos, iniciados a 23 de junho, fazem parte do Projeto de Investigação Plurianual de Arqueologia (PIPA), intitulado “Paisagens mortuárias durante a Pré-História Recente nas bacias hidrográficas dos rios Lima e Neiva, Noroeste de Portugal”, aprovado pela DGPC em 2021 e com término previsto para este ano.
As escavações focam-se na Mamoa da Cova dos Mourinhos, um monumento funerário megalítico de enterramento coletivo com cerca de 6.000 anos. Apesar de a câmara funerária ter sido significativamente danificada ao longo do tempo, os trabalhos arqueológicos têm permitido um conhecimento aprofundado sobre o local.
Os responsáveis apontam que «foi um monumento que exigiu um grande investimento construtivo das populações neolíticas que viviam nas proximidades, facilitado pelas favoráveis condições climáticas da época».
O mesmo está construído sobre um afloramento granítico, «o que simplificou a extração de esteios e blocos para a sua edificação». Era «um dos maiores monumentos do conjunto megalítico do Monte do Oural», onde já foram inventariados mais de dez, completam.
A sua câmara funerária tinha cerca de dois metros de altura e era provida de um corredor baixo, orientado a nascente. Foram encontrados objetos em cerâmica e pedra (incluindo sílex, uma matéria-prima exógena) junto aos mortos ali enterrados, indicando contactos com populações mais distantes.
Associado à entrada do monumento, foi descoberto um pequeno menir, «possivelmente um marcador da área cerimonial que existia em frente à mamoa»», explicam ainda. Acredita-se que outros menires possam ter sido destruídos pela abertura de caminhos na área.
«Cerca de 1.000 anos depois, no 3º milénio a.C. (Calcolítico), este local, já um marco na paisagem pela dimensão da Mamoa, foi remodelado superficialmente», afirmam. Uma estrutura circular, delimitada por blocos graníticos, foi construída na sua couraça pétrea protetora, onde foram depositados vasos cerâmicos, possivelmente acompanhando um novo enterramento.
Os trabalhos são coordenados institucionalmente por Ana M.S. Bettencourt, professora do Departamento de História da Universidade do Minho, em Braga, e por Luciano Vilas Boas, bolseiro de doutoramento em Arqueologia da FCT na mesma universidade e responsável pelo projeto PIPA.
A equipa conta ainda com a colaboração de investigadores espanhóis, especialistas em fotogrametria, e uma equipa internacional de alunos de Licenciatura e Mestrado em Arqueologia da Universidade do Minho, provenientes de diversos continentes como América Latina, Ásia e Europa.
Os trabalhos recebem o apoio do Departamento de História da Universidade do Minho e do Município de Vila Verde, através de um protocolo estabelecido com a Universidade.



