O gabinete do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) responsável pela avaliação externa das aprendizagens, o EduQa, emitiu um parecer técnico no qual conclui que não foi violado o princípio da equidade na polémica questão do Grupo III do exame nacional de Português do 12.º ano.
O parecer, solicitado pelo ministro Fernando Alexandre, surge na sequência da contestação em torno de uma pergunta do exame que pedia aos alunos a elaboração de um comentário crítico a um cartoon do artista iraniano J.J. Takjoo, intitulado “Child Labor”.
Num comunicado enviado às redações esta sexta-feira de manhã, o EduQa refere que “o acesso à resposta apresentada no livro de apoio da Leya não viola o princípio da equidade nem constitui um benefício para esses examinandos”, sublinhando que a competência avaliada decorre de “uma aprendizagem complexa desenvolvida ao longo de todo o percurso escolar do aluno”.
O organismo acrescenta ainda que a preparação para o exame envolve, de forma regular, a resolução de itens semelhantes, não sendo plausível a memorização de respostas específicas. “Durante a preparação para o exame, é provável que muitos alunos tenham resolvido diversos itens semelhantes a este, ancorados numa gama variada de estímulos visuais”, lê-se no mesmo documento, que refere também a existência de exemplos semelhantes em provas anteriores do IAVE.
Em causa está o facto de uma questão semelhante surgir num manual de preparação da editora Leya Educação, da autoria de Carla Marques, que utilizava o mesmo cartoon e solicitava igualmente um comentário crítico com extensão entre 200 e 350 palavras.
O EduQa defende ainda que o exercício presente no manual estava condicionado por um título — “E se o teu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?” — o que, segundo o organismo, orientava a interpretação da imagem. Em contraste, o enunciado do exame nacional não incluía esse título, permitindo “um alargamento do campo de reflexão e interpretações mais diversificadas”.
Nesse sentido, o gabinete do MECI sustenta que não é plausível que os alunos tenham sido beneficiados pela utilização do manual, uma vez que tal implicaria a memorização integral de uma resposta previamente estudada, cenário considerado pouco provável.
O comunicado não esclarece se será anulada ou repetida a questão, solução defendida por vários académicos e docentes. Contudo, face ao teor do parecer, tudo indica que a pergunta deverá ser mantida e considerada na correção normal da prova.



