Desde julho e até ao final de novembro, a Praça dos Arsenalistas, no bairro do Fujacal, em Braga, transforma-se num laboratório ao ar livre para criar com as mãos e imaginar o futuro em comunidade.
O projeto Arqueologias do Futuro, pensado pelo estúdio de arquitetura Parto para o festival Forma da Vizinhança, com curadoria de Space Transcribers, integrado na Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, propõe um ciclo de 15 oficinas de cerâmica comunitária, abertas a moradores, curiosos e entusiastas das práticas manuais.
As oficinas decorrem numa estrutura especialmente desenhada pelo Parto Atelier para o espaço público do Fujacal — uma estufa-laboratório instalada no centro da Praça dos Arsenalistas — e convidam todos os participantes a pôr as mãos no barro, explorar técnicas manuais e dar forma a pequenas peças cerâmicas, que serão depois cozidas, expostas no local e devolvidas no final do festival. Mais do que aprender uma técnica, trata-se de participar num gesto coletivo que liga território, matéria e imaginação partilhada.
A primeira sessão, com o duo bracarense Ateliê Cobalto, teve lugar em julho e marcou o arranque do projeto com uma oficina dedicada à técnica do pinch pot, juntando curiosos numa experiência prática e colaborativa.
O programa segue agora com nomes incontornáveis da cerâmica popular portuguesa, com destaque para o figurado de Barcelos, um dos patrimónios vivos mais marcantes da região. A curadoria dos ceramistas de Barcelos é da responsabilidade da associação cultural Barlos, coletivo independente com sede na cidade, que tem vindo a dinamizar uma nova geração de atividades em torno do barro, da tradição e da experimentação artística.
Entre os convidados curados pela Barlos, destaca-se António Ramalho — bisneto de Rosa Ramalho e figura central na preservação e reinvenção desta tradição — que orienta a próxima oficina, no dia 30 de agosto. A ele juntam-se outros ceramistas que trazem novas linguagens ao figurado: Mina Gallos, com o seu bestiário colorido e expressivo; os Irmãos Baraça, herdeiros de uma linhagem centenária; e João Lourenço, oleiro que cruza saberes ancestrais com experimentação contemporânea.
A par destes mestres, participam também três estúdios independentes sediados em Braga, que representam uma nova geração de criadores ligados à cerâmica de autor: o Ateliê Cobalto, que funde barro, ilustração e escultura com sensibilidade contemporânea; o Corpo Cerâmico, de Thatiana Veronez, que desenvolve práticas sensoriais, colaborativas e educativas; e o projeto Terra Quente, liderado por Rita Sá Machado, onde o barro e as formas da natureza se unem em experiências acessíveis e imersivas.
As oficinas foram pensadas para públicos diversos — desde adultos sem experiência prévia a crianças acompanhadas — e abordam técnicas como o pinch pot, a modelação livre, a pintura de azulejos ou o uso da roda do oleiro. Cada sessão tem o custo de 10 euros, com lugares gratuitos disponíveis para moradores do Fujacal, mediante contacto prévio com a organização.
Mais do que um conjunto de oficinas, Arqueologias do Futuro é uma proposta para imaginar o comum, moldar com tempo, e deixar uma marca no presente que possa ser descoberta — ou reinventada — no futuro.
As sessões decorrem entre até 22 de novembro de 2025, sempre na Praça dos Arsenalistas, no Fujacal, em Braga. A programação completa e mais informações estão disponíveis no site da Braga 25 ou no site da Forma da Vizinhança.
Fotos: Daniel Duarte Pereira











