Mais de mil pessoas manifestaram-se esta quinta-feira, em Lisboa, em solidariedade com a Palestina e contra a interceção da Flotilha Global Sumud pelas forças israelitas, acusando o Governo português de não ter agido com firmeza para proteger os cidadãos nacionais detidos na operação.
“Outros países chamaram embaixadores de Israel dos seus países a consultas, exigindo a libertação dos nacionais desses países que foram presos ilegalmente, e o Governo português nada”, afirmou o dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Jorge Costa, acusando o executivo de uma “atitude displicente”.
A flotilha, composta por cerca de 50 pequenas embarcações, levava medicamentos e alimentos para a Faixa de Gaza, bloqueada por Israel, quando foi intercetada entre quarta e quinta-feira. Entre os detidos estão quatro portugueses: a líder do BE, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves.
CRÍTICAS DA OPOSIÇÃO
Na manifestação em frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, a antiga coordenadora do BE e atual candidata presidencial, Catarina Martins, sublinhou a dimensão da mobilização popular: “Israel pode ter travado a flotilha, mas não travou o mar de gente que está aqui hoje”.
Já Paula Santos, deputada do PCP, defendeu que o executivo “tem de condenar o genocídio em Gaza” e que “não pode ser cúmplice” da guerra. “O Governo tem que fazer tudo o que está ao seu alcance para proteger os cidadãos portugueses e para exigir a sua imediata libertação”, afirmou.
Do lado do Governo, o primeiro-ministro Luís Montenegro disse esperar que os portugueses possam regressar “sem nenhum incidente”, considerando que “a mensagem da flotilha humanitária foi transmitida”.
PROTESTS EM VÁRIAS CIDADES
A mobilização desta quarta-feira, convocada pelo movimento de solidariedade com a Palestina, juntou adultos, jovens e crianças com bandeiras, lenços palestinianos e cartazes a exigir “liberdade para a flotilha”, “sanções para Israel” e o “fim do cerco na Palestina”.
Entre os presentes estiveram organizações como o movimento Occupy for Gaza e o Comité de Solidariedade com a Palestina, ligado à campanha internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). O protesto decorreu entre as 18h00 e as 20h30, com discursos, tambores e palavras de ordem como “a Palestina vencerá”.
Na quinta-feira, o movimento organizou novas ações em cidades de norte a sul — Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Porto, Setúbal e Viseu — entre as 18h00 e as 19h00.
ESCALADA NO MÉDIO ORIENTE
Segundo os organizadores da flotilha, continuam sem informação clara 443 participantes da missão humanitária. Entre os detidos confirmados estão também 30 espanhóis, 22 italianos, 21 turcos, 12 malaios, 11 tunisinos, 11 brasileiros e 10 franceses, além de cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, México e Colômbia.
A ofensiva israelita contra Gaza decorre desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque no sul de Israel. A retaliação israelita provocou até ao momento mais de 65 mil mortos, a destruição quase total das infraestruturas do território e o que organizações internacionais classificam como um desastre humanitário sem precedentes.



