O movimento SOS Racismo apresentou, nesta quinta-feira, uma queixa-crime contra o líder do Chega e “outros deputados” do partido pela divulgação dos cartazes da campanha presidencial de André Ventura, que visam a comunidade cigana e os imigrantes do Bangladesh. É mais uma denúncia formal contra o líder do Chega.
O movimento deu entrada com uma queixa-crime contra André Ventura no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, por considerar que os cartazes com frases como “Isto não é o Bangladesh” e “Os ciganos têm de cumprir a lei” contêm “referências racistas às comunidades ciganas e imigrantes”.
“Os cartazes e as mensagens racistas e xenófobas do Chega afetam e violentam milhares de pessoas, que sentem na pele, todos os dias, os efeitos desta violência e da sua normalização”, argumenta a organização sem fins lucrativos, exigindo a intervenção do Ministério Público (MP).
Num comunicado enviado às redações, o SOS Racismo pede também aos demais agentes e instituições democráticas que impeçam “o uso da violência racista e xenófoba” e que assegurem que os partidos políticos “não se servem da democracia para promover o ódio, nem para humilhar, ofender e violentar pessoas”. A organização frisa que a lei e o Estado de Direito existem para proteger “a integridade, a dignidade e a liberdade das pessoas”, bem como para “prevenir, impedir e punir a violência, o ódio e o racismo”.
“O SOS Racismo não está preocupado em saber se o recurso à Justiça e aos tribunais está em conformidade com táticas académicas ou retóricas sobre a forma mais eficaz e eficiente de derrotar a extrema-direita. O que motiva uma associação que combate o racismo é a proteção das vítimas da violência da extrema-direita, recorrendo a todos os meios disponíveis e ao seu alcance”, justifica, na nota enviada.



