O secretário-geral do PS pediu este domingo, em Póvoa de Lanhoso, explicações ao Governo sobre as alterações feitas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Já se sabia que o novo desenho do PRR ficou reduzido em 311 milhões de euros o valor global do plano, pois eram empréstimos e o Governo já tinha assumido que ia abdicar deles.
O que não se sabia é que há quase mil milhões de euros que são movimentados de projetos que agora perdem financiamento para outras áreas como a inovação empresarial. O Governo explicou que este era um passo fundamental para concluir o plano dentro do prazo.
Ora, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que a justificação apresentada pelo Governo não é suficiente e que o Governo deve explicar ao país porque foi considerou necessário abandonar alguns dos projetos previstos.
Em declarações aos jornalistas durante a tomada de posse do presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso, Frederico de Casto, o secretário-geral socialista mencionou em concreto os fundos previstos para a saúde e educação e considerou que foi uma “machadada na modernização” do Estado Social.
CORTES DEVEM EXPLICAÇÃO DO GOVERNO
«Corta mais de 40 milhões na saúde, corta 235 milhões na educação e nas escolas, corta cerca de 250 milhões de euros no que tem que ver com os apoios sociais para os cuidados domiciliários, continuados e paliativos, e corta quase 300 milhões de euros nos transportes e mobilidade», apontou.
«Isto é um erro grave pelo qual o Governo deve, no meu ponto de vista, responder aos portugueses. Deve explicar porque razão, com que fundamentos, é que entendeu desviar estes recursos», exigiu.
Para o secretário-geral do PS, o Executivo deve também justificar «porque é que não houve capacidade» para executar estas verbas e ainda os motivos que levaram a decidir retirar recursos «a áreas vitais».
Na sexta-feira, o Governo submeteu a última revisão do PRR. Já este sábado, em comunicado, o Ministério da Economia e Coesão Territorial explicava que este era um passo fundamental para concluir o plano dentro do prazo.
A revisão concentra recursos nas intervenções que podem ser cumpridas até 2026 e garante que todas as subvenções previstas serão investidas, justificou o Ministério liderado por Manuel Castro Almeida no comunicado enviado às redações.
Em concreto, o Governo vai abdicar de 311 milhões de euros de obras que não considera concretizáveis até agosto de 2026, nomeadamente a expansão da linha vermelha do metro de Lisboa e a construção do Hospital de Lisboa Oriental.
Há ainda redução de verbas para o Serviço Nacional de Saúde, para a Educação e para a Cultura.
FREDERICO CASTRO TOMA POSSE PARA O QUADRIÉNIO 2025-2029
As declarações aconteceram, esta tarde, na tomada de posse de Frederico Castro para o segundo mandato à frente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso.
O reeleito presidente socialista promete que, até 2029, o concelho viverá «o maior período de prosperidade» da sua história.
Na sua intervenção, no pavilhão da Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso , Frederico Castro assinalou que «foram os nossos valores e as nossas convicções que nos guiaram ao longo de todos estes anos, que nos trouxeram a este dia, e são eles que nos vão guiar nos próximos quatro anos».



