A greve geral de 11 de dezembro teve um impacto expressivo no setor da aviação civil, causando o cancelamento de cerca de 400 voos, anunciou o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVCA) em comunicado enviado aos associados.
Segundo o sindicato, apenas foram realizados os voos abrangidos pelos serviços mínimos, com exceção das companhias easyJet e Ryanair. No caso da easyJet, o SNPVCA denuncia que alguns voos adicionais — embora residuais — foram operados por chefias ou tripulantes de outras bases, ultrapassando os limites legais.
O sindicato classificou esta prática como “inaceitável e repetitiva”, informando que a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) será novamente chamada a intervir e que será instaurado um processo contraordenacional à transportadora.
O SNPVCA atribui ao Governo a responsabilidade pelos transtornos causados aos passageiros e pelos custos associados à paralisação: “São da inteira responsabilidade da postura intransigente deste Governo”, refere o comunicado.
Apesar das declarações do Executivo, que pela voz do ministro da Presidência, Leitão Amaro, considerou a adesão à greve “insignificante”, estimando-a entre 0% e 10%, o sindicato afirma que a mobilização foi “avassaladora”.
O SNPVCA recorda que vários voos foram cancelados nos dias anteriores, devido ao receio das companhias de enfrentarem “um muito provável caos nos aeroportos”.
A CGTP reivindicou a adesão de três milhões de trabalhadores, enquanto a UGT estimou uma participação de 80%. Esta foi a primeira greve geral convocada por ambas as centrais sindicais em 12 anos, afetando setores como transportes, escolas, hospitais e centros de saúde.
O balanço final do SNPVCA reforça a convicção de que a greve teve um impacto significativo, contrariando a avaliação do Governo: “Afirmar que a greve geral foi inexpressiva é não ter noção da realidade ou estar amarrado à sua doutrina ideológica.”



