Vários condutores de elétricos em Milão foram suspensos no âmbito de uma investigação a um grupo de WhatsApp onde teriam sido partilhadas imagens de passageiras dos transportes públicos, alegadamente obtidas através do sistema de videovigilância dos veículos.
A informação foi avançada pelo The Guardian, que refere que as imagens captadas mostrariam, em diferentes contextos, partes do corpo de mulheres — como pernas, rosto, coxas ou peito — acompanhadas de comentários de teor misógino entre os participantes do grupo.
Segundo a investigação em curso, pelo menos uma pessoa está a ser formalmente investigada por suspeitas de acesso não autorizado a sistemas informáticos e possível pirataria do sistema de videovigilância dos elétricos de Milão, com o objetivo de recolher e partilhar as imagens.
As autoridades italianas realizaram buscas nas casas de cinco trabalhadores, tendo igualmente sido ordenada a apreensão de telemóveis e outros dispositivos eletrónicos, para apurar a origem dos conteúdos, a extensão da partilha e a eventual existência de outros envolvidos.
A empresa de transportes públicos de Milão, ATM, confirmou ter atuado de imediato após ter conhecimento da situação, sublinhando que está a colaborar com as autoridades e a garantir a proteção dos passageiros e a integridade dos seus sistemas.
“Agimos rapidamente e com a máxima atenção para clarificar o episódio, verificar o uso adequado das ferramentas da empresa e proteger os consumidores e os trabalhadores que desempenham corretamente as suas funções”, referiu a ATM em comunicado.
O caso terá sido inicialmente detetado por uma passageira que se apercebeu da utilização do grupo durante uma viagem e denunciou a situação, após identificar que as imagens pareciam provir de câmaras de videovigilância. A denúncia foi posteriormente encaminhada para a empresa e desencadeou a investigação.
A revelação gerou reação sindical, com representantes a sublinharem a importância do respeito pela dignidade humana e pela igualdade de género no exercício das funções públicas.
O processo encontra-se agora em fase de investigação, com análise aos dispositivos apreendidos e avaliação de eventuais responsabilidades disciplinares e criminais. Enquanto decorrem as diligências, os trabalhadores envolvidos permanecem suspensos.



