Trinta mulheres que trabalharam com João Cotrim Figueiredo garantiram hoje, numa carta aberta enviada aos órgãos de comunicação social, que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” por parte do candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal (IL). A tomada de posição surge após a acusação de assédio sexual apresentada por uma ex-assessora parlamentar do partido.
“Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa, nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador”, lê-se na missiva subscrita por 30 mulheres que colaboraram com o antigo líder da IL em diferentes contextos profissionais.
Na carta, as signatárias relatam que, ao longo do período em que trabalharam com Cotrim Figueiredo, foram sempre tratadas com respeito, profissionalismo e consideração. Sublinhando que o seu testemunho resulta de experiências diretas, afirmam que o objetivo do texto é “apenas acrescentar ao espaço público um testemunho honesto e coletivo sobre aquilo que conhecemos em primeira mão”.
As subscritoras consideram ainda que a “ligeireza” com que se colocam em causa a integridade e a reputação de uma pessoa é irresponsável e contribui para um clima de suspeição que “não serve a verdade”. “Como o silêncio de quem conhece a realidade também pode ser uma forma de injustiça, escolhemos falar”, acrescentam.
No documento, as mulheres defendem que situações desta natureza devem ser analisadas com “seriedade, justiça e respeito por todas as partes envolvidas”, concluindo que foi “um privilégio” trabalhar com João Cotrim Figueiredo.
A carta surge um dia depois de o candidato presidencial ter rejeitado de forma categórica a acusação de assédio sexual, classificando-a como “absolutamente e completamente falsa”. Na segunda-feira, Cotrim Figueiredo afirmou estar de “consciência absolutamente tranquila” e anunciou a intenção de avançar com uma queixa-crime.
Entre as subscritoras da carta aberta contam-se figuras públicas e dirigentes da Iniciativa Liberal, como as apresentadoras de televisão Iva Domingues e Filipa Garnel, as deputadas Joana Cordeiro e Angélique Da Teresa e a ex-deputada liberal Patrícia Gilvaz.



