O cenário para a segunda volta das presidenciais de 2026 ficou clarificado esta noite: Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo confirmaram que não darão qualquer indicação de voto. O Almirante Gouveia e Melo não se quis pronunciar, adiando qualquer eventual indicação. Em sentido inverso, as forças de esquerda declararam um apoio imediato e unido à candidatura de António José Seguro.
O rescaldo da primeira volta das eleições presidenciais abriu um fosso estratégico entre os dois blocos políticos. No rescaldo de uma noite de forte participação eleitoral, os candidatos do espectro do centro-direita e direita anunciaram uma posição de neutralidade para o duelo final, enquanto o campo da esquerda se aglutinou rapidamente para travar o avanço de André Ventura.
Numa declaração conjunta de intenções, os principais derrotados da noite à direita — Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo – e o ‘independente’ Almirante Henrique Gouveia e Melo — anunciaram que não indicarão apoio a qualquer candidatura na segunda volta.
Apesar de ter “opinião pessoal”, Marques Mendes não apela ao voto noutros candidatos, uma vez que diz “não ser dono dos votos”.
Luís Montenegro, deixou claro que na segunda volta o PSD não apoiará nenhum candidato na segunda volta das eleições presidenciais. “Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo”, afirmou o primeiro-ministro e líder do partido.
Em reação aos resultados das presidenciais, depois de confirmada a terceira posição que apresentou como “uma derrota pessoal”, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal repetiu que “não tenciona endossar ou recomendar o voto na segunda volta”, tal como tinha feito na reta final da campanha.
Esquerda unida: O “Dique” de apoio a Seguro
Contrariando a fragmentação da direita, a esquerda parlamentar e civil reagiu em bloco. Pouco depois de conhecidas as projeções, as direções do Bloco de Esquerda, Livre e as candidaturas de Catarina Martins e Jorge Pinto sinalizaram que o apoio a António José Seguro é um “imperativo democrático”.
“O apelo ao voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições”, afirmou o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe.
António José Seguro consolidou a liderança nacional, vê-se agora como o rosto de uma frente ampla que visa isolar André Ventura.
Fontes próximas da candidatura socialista indicam que a estratégia para as próximas duas semanas passará por captar o eleitorado moderado que ficou “órfão” com a neutralidade de Marques Mendes.
Sem apoios declarados dos candidatos da direita tradicional, André Ventura enfrenta o desafio de tentar converter o eleitorado de Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo sem o aval das respetivas máquinas partidárias.
No seu discurso de vitória na primeira volta, o líder do Chega já começou a apelar diretamente ao “voto útil dos portugueses de bem”, ignorando as lideranças partidárias.



