À porta das igrejas de Braga, durante o período da Quaresma, repetem-se gestos antigos que continuam a marcar a identidade da cidade. As rebuçadeiras voltam a cumprir a tradição da venda dos chamados “Rebuçados do Senhor”, presença habitual nos quarenta dias que antecedem a Páscoa.
Instaladas junto aos templos onde decorre o Lausperene Quaresmal, as rebuçadeiras não vendem apenas rebuçados. Ajudam também quem passa a identificar as igrejas onde o Santíssimo Sacramento se encontra exposto, orientando fiéis e curiosos neste percurso de oração contínua que atravessa a cidade.
Entre as figuras mais conhecidas está Maria do Céu Ribeiro, presença habitual à porta das igrejas. Com sacos cheios de rebuçados embrulhados em papel colorido, continua a produzir artesanalmente estas pequenas iguarias feitas à base de calda de açúcar, às quais a tradição popular atribui a função simbólica de ajudar a “aguentar” o jejum quaresmal.
Braga vive por estes dias mais uma edição do Lausperene Quaresmal, que teve início na Sé Primaz de Braga, na Quarta-Feira de Cinzas, e se prolonga até 2 de abril. Ao longo deste período, a oração perpétua passa por 24 igrejas e capelas do concelho.
Em fevereiro, o Lausperene decorre na Sé Primaz, no Seminário, na Misericórdia, na Penha, no Salvador e em Santo Adrião. Durante o mês de março, a iniciativa percorre templos como a Lapa, São Victor, Santa Cruz, Carmo, São Lázaro, Cividade, Maximinos, Congregados e Senhora-a-Branca, entre outros. O ciclo encerra já em abril, no Instituto Monsenhor Airosa.
Entre o silêncio das igrejas e o movimento discreto das ruas, as rebuçadeiras continuam a ser um elo vivo entre a fé, a memória coletiva e as tradições populares que fazem de Braga uma cidade singular durante a Quaresma.







