Luís Neves é empossado esta segunda-feira como ministro da Administração Interna pelo Presidente da República, sucedendo a Maria Lúcia Amaral, na primeira mudança governamental do segundo executivo liderado por Luís Montenegro.
A nomeação foi oficialmente anunciada no sábado pela Presidência da República. A cerimónia de posse está marcada para as 10:00, no Palácio de Belém. Na mesma ocasião, tomarão igualmente posse os três secretários de Estado do ministério.
Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha serão reconduzidos, respetivamente, como secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, secretário de Estado da Administração Interna e secretário de Estado da Proteção Civil, transitando da equipa liderada por Maria Lúcia Amaral.
Saída após críticas à gestão da crise
Luís Neves foi escolhido por Luís Montenegro para substituir Maria Lúcia Amaral, que apresentou a demissão na sequência das críticas à forma como foi conduzida a resposta governamental à depressão Kristin, que atingiu o país no final de janeiro, provocando vítimas mortais e elevados prejuízos materiais, sobretudo na região Centro.
Na quinta-feira anterior à nomeação, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro garantiu que o sucessor da ministra cessante entraria em funções já esta semana, sublinhando que esta seria a única alteração na composição do Governo, em funções desde 5 de junho do ano passado.
Em resposta ao líder do Chega, André Ventura, o chefe do Governo afirmou então: “Na próxima semana, o Governo terá a sua recomposição completamente estabelecida com uma proposta que farei ao senhor Presidente da República”.
Maria Lúcia Amaral apresentou a demissão no dia 10, justificando, em nota oficial, já não dispor “das condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”. Durante o período de transição, a pasta da Administração Interna foi assumida interinamente por Luís Montenegro.
Constitucionalista de formação, Maria Lúcia Amaral tinha tomado posse como ministra da Administração Interna a 5 de junho de 2025, após oito anos à frente da Provedoria de Justiça.
Percurso do novo ministro
Até à sua nomeação, Luís Neves desempenhava funções como diretor nacional da Polícia Judiciária, cargo que ocupava desde 2018. Licenciado em Direito, ingressou na PJ em 1995, depois de uma breve experiência na advocacia.
Ao longo da sua carreira, esteve maioritariamente ligado à investigação criminal, em especial nas áreas do crime violento e organizado, terrorismo e extremismo violento, rapto e sequestro, tráfico de armas e de seres humanos, bem como crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos.
Antes de assumir a direção nacional da PJ, foi responsável pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo e pela extinta Direção Central de Combate ao Banditismo.
Com a posse desta segunda-feira, Luís Neves passa a liderar o Ministério da Administração Interna num contexto ainda marcado pelo debate político em torno da proteção civil e da resposta do Estado a fenómenos meteorológicos extremos.



