O Irão alertou esta quarta-feira que o preço do petróleo poderá atingir 200 dólares por barril, numa escalada das tensões no Médio Oriente, depois de ter atacado três navios no Golfo Pérsico. O país reafirmou a sua capacidade de retaliação e controlo do estreito de Ormuz, através do qual circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Em resposta à instabilidade nos mercados, a Agência Internacional de Energia (IEA) anunciou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, uma medida sem precedentes destinada a conter a escalada dos preços. A IEA coordena as reservas de emergência dos países da OCDE, que totalizam mais de 1,2 mil milhões de barris, sendo os Estados Unidos detentores da maior parte.
O porta-voz do comando militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, declarou: “Preparem-se para o petróleo a 200 dólares por barril, porque o preço depende da segurança regional que desestabilizaram”, numa referência direta aos EUA e Israel.
O conflito já atingiu o 12.º dia, com bombardeamentos conjuntos de EUA e Israel contra alvos iranianos, que, segundo o embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saied Iravani, causaram a morte de mais de 1.300 civis e destruíram cerca de 8 mil habitações e dezenas de infraestruturas essenciais. Em Israel, os ataques resultaram em 11 mortos e 140 feridos, incluindo sete soldados norte-americanos.
O barril de petróleo registou esta manhã uma subida de 6%, atingindo 93 dólares, após ter subido 2% nas primeiras horas de negociação. A tensão é alimentada pelo risco de o Irão bloquear o tráfego no estreito de Ormuz, numa rota estratégica para o petróleo e gás globais.
Com a situação a evoluir rapidamente, a comunidade internacional mantém vigilância sobre os preços globais do petróleo, enquanto a IEA procura estabilizar os mercados através da utilização das reservas estratégicas.



