Comemorações do 25 de Abril em Vila Verde: Carlos Arantes alerta para “distorção silenciosa” da liberdade de expressão presente nas redes sociais

As comemorações dos 52 anos da Revolução de 25 de Abril de 1974, na freguesia da Lage, ficaram marcadas pelo alerta do presidente da Assembleia Municipal de Vila Verde, Carlos Arantes, para os novos desafios que se colocam à liberdade de expressão.

Durante a sua intervenção, Carlos Arantes sublinhou que “a liberdade de expressão, pilar de Abril, enfrenta hoje um novo desafio, não o da censura direta, mas o da distorção silenciosa”, defendendo que a ameaça atual à democracia assume formas mais subtis do que no passado. Num “tempo profundamente diferente” de 1974, considerou que nunca foi “tão difícil distinguir a verdade da manipulação, o pensamento autónomo, da repetição acrítica”.

«A liberdade de expressão, pilar de abril, enfrenta hoje um novo desafio, não o da censura direta, mas o da distorção silenciosa»

O responsável apontou ainda o papel das redes sociais, que, apesar do potencial de aproximação e pluralismo, “tornaram-se muitas vezes espaços de desinformação, de radicalização e de superficialidade”, alertando para a influência de “algoritmos invisíveis” na construção da perceção pública.

«As redes sociais, «que poderiam ser instrumentos de aproximação e de pluralismo, tornaram-se muitas vezes espaços de desinformação, de radicalização e de superficialidade.

Algoritmos invisíveis moldam o que vemos, o que pensamos, o que sabemos e até o que acreditamos ser verdade»

A sessão evocativa reuniu representantes de várias forças políticas, num debate marcado pela centralidade do tema da liberdade de expressão.

A deputada da Iniciativa Liberal, Andreia Leitão, destacou o papel do 25 de Novembro de 1975 na consolidação da democracia iniciada com Abril.

«O 25 de Novembro foi assim essencial para consolidar o que o 25 de Abril começou»

Ou, como fez questão de frisar, «a melhor forma de honrar o espírito de Abril é garantir que cada cidadão tenha, de facto, liberdade para construir o seu próprio caminho».

«Significa termos uma autarquia que serve aos cidadãos. Significa uma gestão rigorosa dos recursos públicos porque cada euro vem do esforço de quem trabalha. Significa menos burocracia e mais eficiência. Significa apoiar quem quer investir, criar emprego e dinamizar o Conselho. Significa garantir que os jovens não veem o seu futuro limitado pela falta de oportunidades locais. A liberdade também se constrói com boas decisões políticas e essas decisões devem ser guiadas por princípios claros. Responsabilidade, transparência e respeito pelo contribuinte.  É liberdade para trabalhar, é para empreender, é para decidir, para estudar e para viver sem depender excessivamente das estruturas que muitas vezes nos limitam mais do que capacitam». 

Elisabete Rodrigues considerou que, apesar de não existir censura formal, persiste um clima em que “nem tudo pode ser dito”, apontando para formas indiretas de condicionamento, como a pressão social, a exclusão ou prejuízos profissionais.

«Porque o espírito de Abril não é apenas liberdade em papel. É liberdade na vida. Liberdade para trabalhar. Liberdade para viver com dignidade. Liberdade para construir o futuro no nosso país. Liberdade para dizer o que se pensa sem medo.  E a verdade é que muitos portugueses sentem que essa liberdade está incompleta. Sentem-no quando trabalham e não têm o dinheiro para pagar as suas contas. Sentem-no quando os jovens não conseguem ser independentes. E sentem-no de forma ainda mais dura os nossos idosos que trabalharam uma vida inteira e hoje muitos deles têm de escolher entre quando vão viver, se vão comprar medicação ou se vão o que vão comer. Desculpem, mas isto não é dignidade. Isto não é justiça».

Pela bancada socialista, Pedro Araújo reforçou essa ideia, afirmando que “o medo é um sobrevivente”, assumindo hoje novas expressões, distintas da repressão do passado, mas igualmente condicionadoras da liberdade.

«Antes, era o medo da PIDE. Hoje, ainda há quem queira silenciar pelo medo das consequências profissionais, pela pressão social ou económica. A nossa luta deve continuar a ser a mesma. A luta contra os interesses que oprimem o povo. Temos de ser claros. Ninguém é verdadeiramente livre se a sua liberdade for apenas a livre expressão. Ninguém é livre se, por ter nascido num espaço rural, não tem acesso a uma educação de excelência que lhe permite potenciar o seu talento. Ninguém é verdadeiramente livre se o Estado não protege o povo da ganância e o deixa à mercê dos mercados. Sem uma casa onde possa viver com dignidade ou iniciar uma vida independente. Ninguém é livre se passa duas horas do seu dia preso no trânsito, roubando esse tempo à família por falta de acessibilidades adequadas e uma rede de transportes públicos séria e eficaz. Ninguém é livre se, após décadas de democracia, ainda há quem lute pelo básico, por água, por saneamento, por espaços de cultura, de desporte e lazer, dignos do nosso território. Ninguém é verdadeiramente livre enquanto alguns conseguirem continuar a ser senhores do poder, fazendo, tal como há antes, com que um pequeno grupo detenha a riqueza».

 

Também a líder da bancada do PSD, Susana Silva, apontou os desafios estruturais que o país enfrenta, defendendo a necessidade de reformas políticas e económicas para responder a problemas como a natalidade, a habitação, o envelhecimento da população e o crescimento do populismo e da desinformação.

«É fundamental que tenhamos a coragem, como os Capitães de Abril, para fazer as opções políticas necessárias e implementar as tão necessárias e desejadas reformas estruturais que nos permitem ter um país melhor. Portugal enfrenta hoje grandes desafios quanto ao seu futuro. Os problemas económicos, a diminuição da natalidade, o envelhecimento da população, as alterações climatéricas, os problemas da habitação, a desertificação, o enorme descomprometimento com a política pelos mais jovens, a desigualdade salarial, as dificuldades de progressão na carreira ou de acessos a cargos de maior responsabilidade ou cargos políticos por parte das mulheres, o crescimento de frações políticas mais radicais, o populismo, a desinformação e as novas formas de censura, o avanço da tecnologia e os riscos de uma inteligência artificial sem ética nem critério. O património histórico e cultural. Precisamos de continuar a lutar pela igualdade de oportunidades. Precisamos de cidadãos e políticos, de pessoas empenhadas e comprometidas, que atuem de forma eficiente, imparcial e independente, livre de qualquer tipo de interesses ou pressão. O nosso combate hoje não é menor do que aqueles que fizeram o 25 de Abril».

Na abertura da cerimónia, a presidente da junta da Lage, Joaquina Peixoto, destacou a importância da participação cívica, lembrando que “a liberdade não é apenas um direito, é também um dever”, apelando ao envolvimento da comunidade na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

«A liberdade não é apenas um direito, é também um dever. O dever de participar, de cuidar do outro, de não ficar indiferente. Como comunidade, temos a capacidade de fazer a diferença. Cada gesto conta. Cada um de nós tem um papel na construção de um futuro mais justo, mais humano e mais solidário».

No mesmo sentido, Paulo Gomes defendeu que celebrar Abril implica assumir um compromisso contínuo com a democracia, sublinhando que “Abril não é passado encerrado, é presente e exigente, é um futuro em construção”.

«Celebrar Abril é, por isso, mais do que recordar. É avaliar, é questionar, é assumir responsabilidade política e sentir-te aparente aquilo que herdámos. Exige que não confundamos o imediato com o estrutural. Exige, sobretudo, que não confundamos aquilo que as pessoas querem com aquilo que as pessoas precisam. Mas há um risco que não podemos ignorar».

Por isso, questiona:

«Estaremos à altura da madrugada de acordarmos? Estaremos à altura de continuar esse caminho com o sentido de responsabilidade, com rigor e com compromissos democráticos? Hoje, mais do que nunca, celebrar Abril é assumir um grande compromisso. Com as gerações que o fizeram, com as gerações que dele beneficiam e com aqueles que ainda estão por vir. Porque Abril não é passado encerrado .É presente e exigente. É um futuro em construção». 

 

JÚLIA FERNANDES DEFENDE DESCENTRALIZAÇÃO PARA UM CONCELHO «MAIS COMPETITIVO»

A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, defendeu uma aposta clara na descentralização e no investimento em infraestruturas como pilares fundamentais para afirmar o concelho como um território competitivo e coeso, no atual contexto de desafios económicos e sociais.

Durante uma intervenção evocativa dos valores de Abril, a autarca sublinhou que a organização territorial deve assentar “na coesão por via da descentralização”, defendendo que este processo só será eficaz se for acompanhado de maior capacidade de decisão e, sobretudo, de recursos adequados para as autarquias.

“É essencial que a descentralização se traduza em respostas concretas às legítimas aspirações das populações, com eficácia e em tempo útil”, afirmou, destacando o papel do poder local como agente de proximidade e desenvolvimento.

No que respeita a investimentos estruturantes, Júlia Fernandes apontou como prioritárias várias intervenções na rede viária do concelho, nomeadamente a variante à sede de Vila Verde e a ligação entre a Vila do Prado e o Parque Industrial de Oleiros. Projetos que, segundo referiu, têm sido sucessivamente adiados ao longo de várias legislaturas.

Perante esses atrasos, o município tem avançado com soluções próprias, como o Eixo Norte-Sul, ligando Soutelo a Geme, bem como a ligação da Vila de Prado ao Parque Empresarial de Oleiros, com o objetivo de aliviar congestionamentos e potenciar o crescimento económico.

A autarca destacou ainda o avanço do estudo da variante à Estrada Nacional 101 e o lançamento do concurso para a requalificação da EN201, entre a rotunda do Imigrante, na Lage, e a rotunda do Canoísta, na Vila de Prado, incluindo melhorias estruturais há muito reivindicadas.

Para Júlia Fernandes, “celebrar Abril é colocar em prática os valores da liberdade”, garantindo melhores condições de vida às populações e promovendo um poder local ativo, capaz de concretizar projetos e responder às necessidades do território.

A presidente destacou ainda o trabalho conjunto entre o município, juntas de freguesia, associações, empresários e instituições locais, sublinhando que esta articulação é essencial para fomentar a atividade económica, criar emprego e fixar população, sobretudo jovem.

“Em Vila Verde, Abril cumpre-se todos os dias”, afirmou, defendendo que o desenvolvimento sustentável do concelho depende de uma ação contínua, baseada no planeamento, na cooperação e no compromisso com o bem-estar das comunidades.

ANIMAÇÃO PELAS COLETIVIDADES E ESCOLAS 

A cerimónia iniciou com a participação da Fanfarra dos Bombeiros de Vila Verde e teve direito a guarda de honra pelo Agrupamento de Escuteiros da Lage- Jardim de Infância e Escola Básica da Lage. Houve ainda lugar a um testemunho sobre o “25 de Abril” por João Heitor Magalhães da Silva, um residente da Freguesia da Lage e a Recitação de um poema alusivo ao 25 de Abril, por Francisco Gonçalves. Rodrigo Rebelo e Catarina promoveram uma dramatização de um poema por Marta Rodrigues, assim como a representante da APEAL, a que se juntou a entoação de uma música sobre o 25 de Abril, “A Gaivota”, de Zeca Afonso.

Destaque ainda para a participação da Escola de Música da Vila de Prado, que interpretou o tema: “Laurinda Linda Linda” e o Coro Contraste da Escola de Música da Vila de Prado, com direção de Bárbara Passos e Rogério Braga

As cerimónias evidenciaram, assim, uma preocupação comum entre diferentes sensibilidades políticas: a necessidade de proteger e renovar os valores de Abril num contexto de rápidas transformações sociais, tecnológicas e políticas.

[email protected] 

 

Carregar mais

Jornal O Desportivo

<?php
function fetch_rss_cached($url, $cache_seconds = 600) {
    $key = 'rss_cache_' . md5($url);

    $cached = get_transient($key);
    if ($cached !== false) {
        return simplexml_load_string($cached);
    }

    $ch = curl_init($url);
    curl_setopt($ch, CURLOPT_RETURNTRANSFER, true);
    curl_setopt($ch, CURLOPT_TIMEOUT, 10);
    curl_setopt($ch, CURLOPT_FOLLOWLOCATION, true);
    curl_setopt($ch, CURLOPT_USERAGENT, 'WP RSS Fetcher');

    $data = curl_exec($ch);
    curl_close($ch);

    if (!$data) return null;

    set_transient($key, $data, $cache_seconds);
    return simplexml_load_string($data);
}

function time_ago($datetime) {
    $time = strtotime($datetime);
    $diff = time() - $time;

    if ($diff < 60) return $diff . ' segundos atrás';
    if ($diff < 3600) return floor($diff / 60) . ' minutos atrás';
    if ($diff < 86400) return floor($diff / 3600) . ' horas atrás';
    if ($diff < 604800) return floor($diff / 86400) . ' dias atrás';
    return date('d/m/Y H:i', $time);
}

$rss = fetch_rss_cached('https://www.desportivovaledohomem.pt/category/destaque/feed/', 600);
if (!$rss || empty($rss->channel->item)) {
    echo '<!-- RSS vazio ou erro -->';
    return;
}

$items = $rss->channel->item;
$count = 0;

echo '<div class="rss-posts">';

foreach ($items as $item) {
    if ($count >= 5) break;

    $title = (string) $item->title;
    $link = (string) $item->link;
    $pubDate = (string) $item->pubDate;
    $timeAgo = time_ago($pubDate);

    $categoryText = isset($item->category[0]) ? (string) $item->category[0] : '';

    echo '<div class="rss-post">';
    echo '<p class="rss-meta">' . esc_html($timeAgo) . ' - ' . esc_html($categoryText) . '</p>';
    echo '<h3 class="rss-title"><a href="' . esc_url($link) . '" target="_blank" rel="noopener">' . esc_html($title) . '</a></h3>';
    echo '</div>';

    $count++;
}

echo '</div>';
?>
.rss-posts {
    font-family: "MYRIAD PRO";
    font-weight: 400;
}

.rss-post {
    padding: 10px 0;
    border-bottom: 1px solid #8E8E8D;
}

.rss-meta {
    color: #828282;
    font-size: 11px;
    margin-bottom: 0px;
    font-weight: 600;
}

.rss-title {
    font-size: 14px;
    line-height: 1.4;
    margin: 0;
}

.rss-title a {
    text-decoration: none;
    color: #363636;
    font-family: "Myriad Pro";
    font-weight: 400;
    font-size: 17px;
}

.rss-post:last-child {
    border: none;
}
Ver mais

Últimas Notícias

Ver mais