Portugal deverá regressar aos défices orçamentais a partir de 2026, depois de alcançar um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo as projeções divulgadas esta segunda-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
No Boletim Económico de junho, o banco central estima um défice de 0,2% do PIB em 2026, que deverá agravar-se para 0,5% em 2027 e manter-se nesse nível em 2028.
“Após um excedente de 0,7% do PIB em 2025, projetam-se défices orçamentais de 0,2%, em 2026, e 0,5%, em 2027 e 2028”, refere a instituição.
Apesar da deterioração das contas públicas, o Banco de Portugal sublinha que o país continuará a apresentar uma posição relativamente favorável no contexto europeu. “Portugal mantém-se entre o grupo restrito de países da área do euro com um excedente orçamental ou um saldo próximo do equilíbrio”, assinala.
A evolução do saldo orçamental reflete a manutenção de uma política expansionista ao longo do horizonte de projeção. Segundo o BdP, “a orientação da política orçamental permanece expansionista”, sustentada pelo aumento da despesa financiada por fundos nacionais e por medidas de redução da receita fiscal.
Neste contexto, a instituição alerta que “o crescimento da despesa líquida deverá manter-se acima dos limites estabelecidos nas regras orçamentais europeias”.
Ainda assim, a dívida pública deverá continuar a recuar nos próximos anos. O rácio da dívida deverá passar de 89,7% do PIB em 2025 para 79,5% em 2028, ficando abaixo da média da área do euro.
O Banco de Portugal considera, porém, que a trajetória descendente da dívida deve ser preservada. “É essencial assegurar a continuidade desta trajetória descendente”, sublinha.
A instituição destaca igualmente a necessidade de prudência na gestão das finanças públicas. “Os compromissos orçamentais já assumidos para o médio prazo e os importantes desafios estruturais evidenciam a importância de conservar margem de manobra orçamental”, lê-se no documento, permitindo “assegurar a sustentabilidade das finanças públicas e a capacidade de resposta a eventuais choques”.
No mesmo boletim, o Banco de Portugal manteve inalteradas as previsões de crescimento económico, apontando para uma expansão do PIB de 1,8% em 2026, uma desaceleração para 1,6% em 2027 e uma recuperação para 1,8% em 2028.
As perspetivas continuam, contudo, condicionadas pela incerteza internacional, pelo aumento dos preços do petróleo associado ao conflito no Médio Oriente, pelo agravamento das condições financeiras e pelo abrandamento da procura externa.



