O presidente da Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave (ATAHCA), José da Mota Alves, anunciou que não será candidato nas eleições marcadas para 30 de junho, cessando funções na liderança da instituição e como coordenador da equipa técnica local do Grupo de Ação Local.
Na mensagem dirigida a associados e parceiros, a que o jornal “O Vilaverdense” teve acesso, o responsável justifica a decisão com razões de saúde e com a necessidade de “saber parar”, sublinhando o fim de um ciclo de mais de três décadas ligado ao desenvolvimento rural.
“Por razões de saúde e também porque o tempo e a idade nos ensinam a importância de saber parar, não apresentarei candidatura”, refere, acrescentando que termina funções com “emoção, mas também com profunda serenidade e gratidão”.
José da Mota Alves recorda um percurso de cerca de 50 anos de ligação ao mundo rural, incluindo a participação no movimento autárquico desde as primeiras eleições de 1976 e a intervenção em programas europeus como o LEADER, sublinhando o trabalho desenvolvido em prol dos territórios dos Vales do Cávado e do Ave.
Ao longo da sua mensagem, o dirigente destaca o papel das equipas técnicas, parceiros institucionais e entidades públicas envolvidas no desenvolvimento de projetos. “Nunca esqueci igualmente os associados e parceiros da ATAHCA, bem como os técnicos e responsáveis dos diversos organismos da Administração Pública”, afirma.
O ainda presidente da ATAHCA deixa também um alerta sobre o futuro dos territórios rurais, defendendo a necessidade de políticas públicas mais fortes de coesão territorial, investimento e inovação.
“Continuo a acreditar profundamente no futuro do mundo rural. Contudo, esse futuro exigirá mais apoio, mais imaginação, mais capacidade de inovação e políticas de verdadeira discriminação positiva”, refere.
TRAVAR DESPOVOAMENTO
Na mensagem, o dirigente sublinha ainda a importância de travar o despovoamento e o envelhecimento das regiões do interior, defendendo um país mais equilibrado entre litoral e interior e mais justo na distribuição de oportunidades.
“Precisamos de um país mais equilibrado do ponto de vista demográfico, mais coeso entre o litoral e o interior e mais justo na igualdade de oportunidades para todos os cidadãos”, afirma.
José da Mota Alves alerta igualmente para a burocracia associada aos programas de desenvolvimento rural, considerando que esta continua a ser um dos principais entraves à concretização de projetos nos territórios de baixa densidade.
No documento, o responsável inclui ainda um conjunto de princípios que designa como “Dez Mandamentos para uma Política de Desenvolvimento Rural Integrado e Sustentável em Portugal”, onde defende a coesão territorial, o investimento público estruturante, a inovação, a diversificação económica e a preservação da identidade cultural do mundo rural.
“Continuo a acreditar que cada um de nós pode ser uma voz ativa para que as pessoas que vivem no interior do país nunca sejam esquecidas”, conclui.



