O Tribunal de Braga vai julgar um cidadão de nacionalidade chinesa, de 54 anos e residente em Guimarães, pelos crimes de sequestro agravado e coação sexual agravada. Os crimes terão sido praticados contra a sua própria filha, atualmente com 20 anos, que estuda em Portugal.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), citada pelo jornal O Minho, os episódios de violência e coação prolongaram-se no tempo, tendo a jovem acabado por denunciar o caso à PSP. De acordo com o relato da vítima, os abusos terão começado quando ainda residia na República Popular da China.
Na altura, aos 18 anos, terá sido obrigada pelo pai a praticar atos sexuais sob a ameaça de uma faca e a promessa de que mataria a sua mãe, utilizando o pretexto de que o ato servia para a jovem “se purificar”. Este crime específico foi comunicado pelas autoridades portuguesas às congéneres chinesas, uma vez que não pode ser julgado em território nacional.
O Minho adianta que, já em Portugal, o arguido terá tentado novos abusos no verão de 2020, em Braga, que acabaram arquivados por falta de testemunhas e pelo facto de a vítima já não ser menor. Contudo, a situação escalou no mesmo período quando o pai voltou a insistir nos abusos, alegando novamente que a filha “tinha energias negativas”. Perante a recusa da jovem, o homem ameaçou deixar de lhe pagar os estudos.
“O arguido muniu-se da chave e fechou a porta do apartamento, e retirou-lhe o telemóvel, impedindo-a de sair e de contactar com terceiros, contra a sua vontade”, sustenta a acusação, que acrescenta que o sequestro durou por um “período superior a dois dias”.
Mais tarde, em setembro de 2021, o arguido deslocou-se novamente ao apartamento da filha, onde se terá deitado na sua cama de madrugada e tocado nos seios da jovem por cima da roupa. A vítima conseguiu afastá-lo e fugiu de casa.
O Ministério Público considerou que o arguido demonstrou “deter uma personalidade altamente desvaliosa, malformada e indiferente ao bem-estar e são desenvolvimento” da sua própria filha. À jovem foi atribuído o estatuto de vítima especialmente vulnerável. O julgamento arranca brevemente no Tribunal de Braga.



