O investigador Paulo Lourenço, do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia de Estruturas (ISISE) da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho), foi distinguido com uma bolsa de 150 mil euros do Conselho Europeu de Investigação (ERC), destinada a apoiar a transferência para o mercado de uma plataforma inovadora de avaliação da segurança sísmica do património cultural construído.
O financiamento, atribuído no âmbito das bolsas Proof of Concept do ERC, permitirá desenvolver o projeto Pan-European Earthquake Selection Platform, que pretende transformar em aplicação prática a tecnologia criada durante o projeto STAND4HERITAGE, financiado pelo ERC com três milhões de euros entre 2018 e 2025.
A plataforma foi concebida para melhorar a seleção de movimentos sísmicos utilizados na avaliação da segurança de edifícios, ultrapassando limitações das ferramentas atualmente disponíveis e facilitando a sua utilização por universidades, centros de investigação e empresas do setor.
“Não podemos aceitar desastres como o dos sismos recentes da Venezuela; a engenharia sísmica está a evoluir felizmente para soluções mais seguras e económicas, reduzindo as perdas e melhorando a resiliência das comunidades”, afirma Paulo Lourenço.
Segundo o investigador, “uma previsão credível da segurança das construções depende da seleção de movimentos sísmicos apropriados” e a nova plataforma pretende responder a essa necessidade, abrindo igualmente caminho à sua comercialização.
Esta é a 15.ª bolsa do Conselho Europeu de Investigação atribuída à Universidade do Minho desde 2012, abrangendo áreas como biomateriais, sociologia, biotecnologia, engenharia civil e medicina. Para o ISISE, representa a segunda distinção deste tipo, elevando para mais de 24,5 milhões de euros o financiamento acumulado obtido através do ERC.
“Este é um estímulo importante para a nossa equipa de investigação, que é considerada uma referência mundial na área”, sublinha Paulo Lourenço.
As bolsas Proof of Concept destinam-se exclusivamente a investigadores já financiados pelo ERC e visam acelerar a valorização económica e social dos resultados científicos. O apoio pode ser aplicado em validação tecnológica, estudos de viabilidade, proteção da propriedade intelectual, definição de modelos de negócio, captação de investimento ou criação de empresas.
Professor catedrático da Universidade do Minho desde 2006, Paulo Lourenço é especialista em engenharia sísmica, conservação estrutural e engenharia forense. Ao longo da carreira, participou em intervenções em mais de duas centenas de monumentos, incluindo 20 classificados como Património Mundial da UNESCO, em países como Reino Unido, Itália, Brasil, Peru, Estados Unidos, Índia e Nova Zelândia.
Em Portugal, o investigador trabalhou em edifícios emblemáticos como o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio de Belém, o Paço dos Duques de Bragança e a Sé do Porto. Coordena desde 2007 o mestrado europeu em Análise Estrutural de Monumentos e Construções Históricas, distinguido com o Prémio Europa Nostra em 2017, e é atualmente presidente do Conselho Científico Internacional sobre Estruturas Patrimoniais (ISCARSAH), organismo do ICOMOS.



