O grupo “Amigos do Porto”, natural de Barbudo, no concelho de Vila Verde, realizou este domingo o seu 34.º convívio, renovando uma tradição que celebra uma amizade construída ao longo de mais de seis décadas e marcada pela entreajuda desde os tempos da juventude.
A história do grupo remonta a 1959, quando vários jovens de Barbudo decidiram partir para o Porto em busca de melhores oportunidades de trabalho. Conheciam-se desde crianças e, já na cidade, mantiveram o espírito de solidariedade que sempre os uniu, ajudando-se mutuamente a encontrar emprego. “Uns recomendavam os outros”, recordam.
Os “Amigos do Porto” desempenharam funções em diferentes áreas profissionais, desde o comércio ao setor das ferragens, passando pelo chamado trabalho de “mercano”, que consistia no transporte de caixotes à cabeça, uma atividade muito comum na época.
As condições de trabalho eram bem diferentes das atuais. Os patrões asseguravam alojamento, alimentação e roupa lavada, enquanto o salário era modesto. Um dos elementos recorda que recebeu apenas 20 escudos no seu primeiro ordenado, vivendo, como os restantes colegas, na casa dos respetivos empregadores.
Com o passar dos anos, alguns regressaram a Vila Verde, enquanto outros permaneceram no Porto, onde construíram a sua vida profissional. Entre eles, há quem tenha iniciado a carreira como trabalhador por conta de outrem e acabado por criar a própria empresa, num percurso de ascensão alcançado com esforço e dedicação.
Em 1992, o grupo assumiu o compromisso de nunca deixar desaparecer os laços de amizade, prometendo reunir-se regularmente. Mais de três décadas depois, essa promessa continua a ser cumprida.
No final de mais um convívio, os participantes manifestaram o desejo de reforçar ainda mais esses encontros, defendendo que deixem de ser apenas anuais para passarem a realizar-se com maior frequência, preservando uma amizade que atravessou gerações e continua a ser um exemplo de companheirismo e união.


















