Pelo menos 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas nos bombardeamentos realizados pelos Estados Unidos contra o Irão nos últimos dois dias, segundo as autoridades iranianas, numa nova escalada militar que motivou uma resposta de Teerão contra alvos norte-americanos na região do Golfo.
De acordo com o porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Hosein Kermanpour, os ataques norte-americanos atingiram cinco províncias iranianas nos dias 8 e 9 de julho, apesar do cessar-fogo em vigor, provocando as vítimas agora confirmadas.
A agência oficial iraniana IRNA adiantou que um dos bombardeamentos, na província de Khuzestan, causou pelo menos três mortos e vários feridos na periferia da cidade de Ahvaz.
Em resposta às ofensivas, os meios de comunicação estatais iranianos anunciaram que as forças armadas da República Islâmica lançaram um ataque com “um grande número de drones kamikaze de diferentes tipos” contra um sistema de mísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta precoce no Catar e depósitos de combustível no Bahrein.
Os Guardas da Revolução Islâmica confirmaram igualmente ataques contra bases militares norte-americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein, elevando a tensão numa das regiões mais sensíveis do Médio Oriente.
Washington justificou os bombardeamentos alegando que o Irão violou os compromissos assumidos no acordo provisório alcançado a 17 de junho, que permitiu a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados à escala global.
Entretanto, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, acusou Teerão de ter “violado os seus próprios compromissos” ao alegadamente atacar embarcações em águas territoriais de Omã, apelando ao fim das hostilidades para permitir a continuação das negociações diplomáticas.
A escalada militar teve também impacto nas infraestruturas civis iranianas. A televisão estatal anunciou a suspensão da ligação ferroviária entre Teerão e Machhad, na sequência do que classificou como um “ataque criminoso do inimigo américo-israelita” à linha ferroviária. As autoridades mobilizaram equipas de reparação e organizaram transporte rodoviário para os passageiros afetados.
Na quarta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo “já não se mantém”, embora tenha garantido que os novos confrontos deverão terminar “muito rapidamente”.
A troca de ataques aumenta os receios de um alargamento do conflito no Golfo Pérsico, numa altura em que vários países continuam a apelar à contenção e ao regresso à via diplomática.


