Termina esta terça-feira o prazo para a classificação dos exames finais nacionais do ensino secundário da 1.ª fase, depois de o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) ter prolongado em quatro dias o calendário inicialmente previsto, na sequência dos constrangimentos registados no novo sistema de classificação eletrónica.
Apesar dos problemas identificados durante o processo de digitalização e correção das cerca de 300 mil provas realizadas pelos alunos dos 11.º e 12.º anos, o Governo garante que o calendário revisto será cumprido e mantém a divulgação das classificações para sexta-feira.
O prazo inicial para a conclusão das classificações terminava a 10 de julho, mas foi alargado para permitir aos professores classificadores concluir a avaliação com as necessárias garantias de qualidade e rigor.
Na segunda-feira, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, revelou que 92% dos exames já tinham sido classificados, destacando o trabalho desenvolvido pelos docentes ao longo do fim de semana.
“Neste momento, 92% dos exames estão corrigidos e a cadência está a ser muito elevada”, afirmou o governante, à entrada para uma reunião do Conselho das Escolas, em Lisboa.
O ministro sublinhou que “muitas pessoas” estão envolvidas no processo para assegurar a fiabilidade da avaliação e garantiu que o prazo será cumprido “com rigor”, reiterando que os alunos terão acesso às classificações na sexta-feira, conforme previsto.
Professores repetiram correções após identificação de falhas
Durante o fim de semana, vários professores classificadores relataram ter sido chamados a corrigir novamente provas ou a avaliar novos itens, na sequência das verificações realizadas pelo ministério.
Fernando Alexandre confirmou que alguns docentes tiveram de repetir o trabalho, explicando que “alguns professores tiveram de corrigir duas e três vezes a mesma prova” devido à identificação de erros durante os mecanismos de controlo de qualidade.
O governante pediu desculpa aos professores pelos constrangimentos, considerando a situação “lamentável”, mas defendeu que a repetição das correções demonstra que os mecanismos de validação estão a funcionar para garantir a máxima fiabilidade das classificações.
MECI reforça validação das provas digitalizadas
Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Ministério da Educação explicou que está em curso um processo de verificação da qualidade do sistema de classificação eletrónica, destinado a assegurar que todos os itens disponibilizados aos classificadores correspondem integralmente às respostas dadas pelos alunos nas provas em papel.
Durante essa validação foram detetadas diversas situações que obrigaram a verificações adicionais, incluindo folhas de resposta mal digitalizadas devido a dobras, páginas que não tinham sido digitalizadas e provas que chegaram posteriormente à Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), responsável pelo tratamento dos exames.
Segundo o ministério, estas situações motivaram um rigoroso processo de conferência das provas físicas e, sempre que necessário, contactos com as escolas para confirmar a integridade da documentação.
Além disso, foi iniciado um novo controlo destinado a garantir que cada exame realizado em papel corresponde exatamente ao respetivo ficheiro digital, que será posteriormente disponibilizado aos alunos.
O MECI assegura que todo o processo decorre sem comprometer o anonimato das provas e salienta que as verificações realizadas na INCM não interferem com a classificação dos exames.
Governo acompanha diariamente a operação
Face à dimensão da operação, o Ministério da Educação refere que tem mobilizado um elevado número de recursos humanos, incluindo durante o fim de semana, para assegurar o cumprimento do calendário.
O ministro Fernando Alexandre, o secretário de Estado Adjunto e da Educação e elementos dos respetivos gabinetes têm acompanhado diariamente os trabalhos na INCM, através de pontos de situação regulares.
Na nota oficial, o ministério reafirma o compromisso com “todo o rigor e transparência do processo de classificação” e agradece o empenho dos cerca de 11 mil professores classificadores e técnicos envolvidos.
Professores mantêm preocupações
Apesar das garantias do Governo, algumas estruturas representativas dos docentes continuam a manifestar reservas quanto ao processo.
A Missão Escola Pública (MEP) alertou para situações de folhas em falta, respostas duplicadas e dificuldades na plataforma eletrónica, defendendo que, caso persistissem problemas, deveria ser ponderado um novo adiamento do calendário para salvaguardar o rigor das avaliações.
Também a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) reconheceu o esforço desenvolvido pelos classificadores e apelou à valorização do trabalho realizado. O presidente da associação, Filinto Lima, manifestou, contudo, confiança de que os resultados a divulgar refletirão “um trabalho de excelência”, apesar dos constrangimentos registados.
Com o prazo de classificação a terminar esta terça-feira, todas as atenções centram-se agora na conclusão das correções e na publicação das classificações da 1.ª fase dos exames nacionais, que o Ministério da Educação mantém prevista para sexta-feira.



